Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
2

Brinquedos perigosos à venda

Peças soltas e pequenas que podem ser fatais na traqueia de uma criança, pilhas à vista que em contacto com a boca dos petizes libertam substâncias tóxicas, computadores e bonecas que não resistem ao ensaio da queda, bases cortantes e pontas aguçadas são alguns dos exemplos dos brinquedos extremamente perigosos à venda no mercado.
23 de Novembro de 2007 às 00:00
A ‘Proteste’, revista da associação de consumidores Deco, apresentou ontem um estudo no qual, entre 30 brinquedos comprados em hipermercados, lojas da especialidade e lojas chinesas, 18 chumbaram.
“Nós ensaiámos com um pequeno cilindro que simula a traqueia de uma criança e muitos brinquedos chumbaram”, disse Teresa Belchior, responsável pelo estudo da Deco.
O Observatório Nacional de Saúde registou em 2006 vários acidentes infantis com peças de construção e de legos, triciclos, trotinetes, peluches e outros brinquedos. Já a Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE) disse ao CM que as crianças são uma prioridade. “Apreendemos cerca de 35 mil brinquedos e a fiscalização dos mesmos é uma das nossas prioridades.”
Em 2005 morreram 30 crianças portuguesas com idades entre um e quatro anos sem ser por doença, acidente, afogamento ou queda mas sim por “causas externas de mortalidade”, conforme consta de um estudo do Instituto Nacional de Estatística. Entre as causas contam-se a asfixia e a sufocação, que pode acontecer com um brinquedo.
Teresa Belchior diz que a legislação tem de mudar: “Há brinquedos que são retirados do mercado e que nunca lá deveriam chegar. Pedimos a alteração urgente da directiva, a fiscalização e a aplicação imediata de sanções aos fabricantes e aos distribuidores.”
Todos os brinquedos que não tenham instruções em português, rotulagem, instruções, idade apropriada, nome e morada do fabricante ou do distribuidor são, logo à partida, considerados perigosos.
NOTAS SOLTAS
QUEIXAS
A Deco disponibiliza on-line um formulário para denúncias de brinquedos perigosos através do site www.deco.proteste.pt
NOVA LEGISLAÇÃO
A directiva europeia de 1988 foi transposta para a legislação nacional em 1992. Está em estudo uma nova legislação que contemple menos exclusões da categoria de brinquedos, maior responsabilidade aos fabricantes e pesadas sanções e a retirada do rótulo CE, uma vez que este não é um indicador claro.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)