Os contornos do negócio de jóias em Espanha que levou à detenção de Maria da Graça ganharam novos desenvolvimentos com a entrada em cena de um bruxo brasileiro que residia na zona de Fafe, que aparece como testemunha de Acusação.
Mas afinal quem é o vidente António? “Era o bruxo privativo do empresário José Carlos Abreu”, afirma, peremptório, ao CM, o empresário Paulo Oliveira, alegado intermediário na venda das jóias. E esclarece: “Conheci-o por intermédio do José Carlos e a certa altura convenci-me que ele podia ajudar a minha filha no problema da fala. Por isso, cheguei a levá-lo comigo a Espanha. O bruxo acabou por conhecer Maria da Graça, intrometeu-se no negócio das jóias e, já em Madrid, fez-me uma proposta estranha para prejudicar José Carlos, o que recusei liminarmente. A partir daqui passou a intrigar junto de Abreu contra mim”.
O empresário de Vila das Aves José Carlos Abreu recusa esta classificação: “Eu pouco conhecia o António. Estive com ele duas ou três vezes e foi o Paulo quem ficou seduzido por ele. Uma das vezes que fui a Madrid por causa do negócio com Maria da Graça, o António estava lá com o Paulo Oliveira. Sei que se zangaram e que o Paulo regressou a Portugal sozinho, deixando-o lá”.
As razões das desavenças entre Paulo Oliveira e o bruxo não estão completamente claras, mas a verdade é que o brasileiro António ficou abandonado em Madrid sem dinheiro. E quem lhe valeu foi Maria da Graça, como confirmou ontem ao nosso jornal o marido Luis Galo: “Esse homem é um personagem sinistro. Chegou aqui, sem um euro, e acabou por ficar em minha casa porque não tinha dinheiro para ir para um hotel. Depois, alguém lhe mandou dinheiro de Portugal e ele foi-se embora. A nós, foi-nos apresentado como bruxo da família Abreu mas tinha vindo para fazer espiritismo e curar a filha de Paulo Oliveira, de três anos, que estava em nossa casa”, diz.
Ainda não está apurado qual foi o papel do vidente em toda esta história, sendo certo que, pelo menos até dada altura, as suas opiniões sobre negócios eram tidas em conta por José Carlos Abreu. Todavia, foi Paulo Oliveira quem mais se encantou com o vidente. Até lhe fez um teste, que o bruxo António passou com distinção. O próprio empresário recorda: “Perguntei-lhe se o médico de Madrid que andava a tratar a minha filha era bom e ele disse-me que sim, que era muito sabedor e pessoa viajada. Perguntei-lhe então qual o último país que esse médico tinha visitado e ele respondeu-me que tinha sido a Alemanha. Ora, isso era rigorosamente certo, em conversa anterior com o médico ele falara-me de uma recente viagem a Baden-Baden. Preocupado como andava com a minha filha, ousei pensar se ele a poderia ajudar com algum dos seus poderes.” Se o brasileiro imaginou alguma golpaça para ficar com as jóias, como admite Paulo Oliveira, aludindo ao tal plano obscuro que lhe chegou a propor, é o que está ainda por apurar. Mas que o bruxo se insinuou no negócio, não restam dúvidas. Ele seria, de resto, uma das pessoas que acompanharia Maria da Graça a Marbelha, em Agosto, numa altura em que se programou esta viagem com o fim de ali encontrar potenciais compradores para as jóias de José Carlos Abreu.
Com o negócio a dar para o torto, com Maria da Graça na cadeia, Abreu sem as jóias, Oliveira acusado nos tribunais portugueses por não devolver as jóias para as quais assinou um termo de responsabilidade, e a Polícia espanhola curiosa em averiguar o seu envolvimento na história, o brasileiro António deixou os holofotes.
Daí que o CM não tenha conseguido localizá-lo, a fim de o confrontar com as opiniões pouco abonatórias dos nossos interlocutores.
SEM DOCUMENTOS FIÁVEIS
Maria da Graça não tinha confiança total sobre a legalidade da proveniência das jóias que José Carlos Abreu lhe fez chegar. Não lhe terão sido facultados documentos comprovativos fiáveis, e na avaliação da Caja Madrid também foram postas algumas reservas quanto ao contraste de algumas peças. Foi mesmo aconselhada a não prosseguir com o negócio enquanto não houvesse total certeza da legalidade do negócio, sob pena de poder ser acusada de receptação. O empresário José Carlos Abreu, todavia, reafirma que tudo está em ordem e devidamente documentado.
Maria da Graça está detida por burla, como confirmou ontem ao CM o marido.
Sobre a mesa chegou a estar a possibilidade da detenção estar ligada a um processo movido por industriais têxteis de Fafe que a acusam de não lhes pagar as encomendas, ou os dois anos de prisão, nunca cumpridos, a que Maria da Graça foi condenada em França, em 1995, por burla na venda de um castelo. Por este último caso, a justiça francesa pediu a extradição de Maria da Graça, que esteve obrigada em Espanha a apresentações periódicas.
POR EXCESSO
Maria da Graça exigiu a José Carlos Abreu 50 mil euros para a restituição das jóias que ficaram consigo para vender. A verba era justificada com despesas efectuadas e, para alguns, parece excessiva se em causa estiver apenas este negócio. Chegou a afirmar que se ele não desse os 50 mil, então teria que pagar 80 mil para as reaver.
POR DEFEITO
Maria da Graça ganharia dois por cento de comissão se o negócio se concretizasse. Esta verba é que é considerada muito escassa para as características do negócio, envolvendo os 500 mil euros reclamados por José Carlos Abreu ou os 354.450 euros exigidos a Paulo Oliveira no Tribunal de Gondomar em notificação judicial avulsa.
VOLUNTÁRIOS
Tal como Maria da Graça, também Oliveira esteve na PSP do Porto a apresentar-se voluntariamente, oito dias depois da queixa de Abreu, em 18 de Agosto. Mas recusou trazer as jóias para Portugal alegando falta de documentação para o transporte.
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