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Correio da Manhã

Portugal
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BURLA CHEGA POR TELEFONE

Casos de burlas praticadas por empresas alegadamente ligadas a listas telefónicas estão a surgir na Margem Sul, tudo levando a crer que se trata de uma acção concertada. As queixas foram todas elas comunicadas às autoridades e uma delas deu mesmo entrada directamente no Ministério Público junto do Tribunal do Barreiro.
5 de Julho de 2004 às 00:00
Esta última teve por alvo um centro clínico no Barreiro, que começou a ser assediado no princípio deste ano. “O primeiro contacto foi por telefone”, referiu um médico responsável, acrescentando que do outro lado da linha “havia alguém que dizia ser da Lista Geral de Portugal e que vinha solicitar o pagamento de mil e cinquenta e quatro euros”.
A razão era a inserção de publicidade na Lista - ou Telelista, como é vulgarmente conhecida - com quem a clínica em causa estabeleceu contrato, mas quando chegou a altura de pagar e foram passadas as ‘facturas’ a empresa era outra que não a Lista Geral de Portugal, se bem que com uma similitude de palavras que levava à confusão e ao engano.
Em meados de Maio, a situação voltou a verificar-se, mas desta vez já com outra empresa, embora voltando a usar uma designação com forte similute com a Lista Geral de Portugal. No entanto, desta feita o método de contacto foi já diferente: um ‘vendedor’ abordou directamente uma das médicas da empresa no local de trabalho.
Mais uma vez foi pago o serviço de publicidade e passado um cheque de 492 euros, mas nesta ocasião a empresa accionou directamente a queixa no Ministério Público junto do Tribunal do Barreiro, alegando ter sido vítima de burla. “Fomos enganados. Temos o contrato assinado com a Lista Geral de Portugal, mas nunca assinámos com qualquer outra empresa do género”, salienta um dos médicos e sócio da empresa que se considera lesada por “má-fé”.
“Sabem que nós temos publicidade na Lista Geral de Portugal e deve ser assim que começam o processo”. Aliás, salienta o médico, o último dos clínicos a ser contactado nem sequer é sócio da firma, mas “uma vez que o seu nome vem na publicidade foi o suficiente”.
AUTORIDADES LANÇAM ALERTA
Não é a primeira vez que este tipo de casos se verifica no nosso País, em que empresários são levados ao engano e lesados com o pagamento de publicidade em listas telefónicas que pura e simplesmente não existem, ou com quem nunca assinaram qualquer contrato. Para as autoridades, a questão assume um conteúdo gravoso, mas alertam também para a necessidade de os empresários ou funcionários das empresas terem mais atenção aos contactos que são estabelecidos e como. É que depois torna-se muito difícil chegar aos responsáveis, uma vez que são empresas que se fazem e desfazem muito rapidamente, ou mudam frequentemente de morada e de número de telefone, dificultando a investigação.
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