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Correio da Manhã

Portugal
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BURLAVAM POR TELEFONE

Um telefonema convincente e o aproveitamento da confiança era quanto bastava a uma alegada rede criminosa para enganar os cidadãos e convencê-los a pagar uma dívida que não contraíram.
16 de Março de 2004 às 00:00
O número de vítimas poderá ascender aos milhares, mas só agora começa a ser contabilizado, depois da Polícia Judiciária de Coimbra ter desmantelado o grupo, que actuava em todo o País.
Segundo informações da PJ, os suspeitos agiam a coberto de duas empresas, instaladas na zona de Lisboa e Vila das Aves, Santo Tirso. Com base nestas firmas, relacionadas com a elaboração de listas telefónicas, a alegada rede convencia as vítimas que tinham efectuado um contrato por via telefónica e estavam obrigadas a pagar o ‘serviço’. Caso contrário, seriam processadas judicialmente.
Através deste método, terão sido enganadas “centenas ou milhares de pessoas”. As autoridades policiais presumem que muitas das vítimas “nem sequer têm consciência que foram burladas”.
As investigações levaram mais de seis meses e culminaram com a detenção de 12 pessoas, sete homens e cinco mulheres, com idades entre os 25 e os 52 anos, anunciou ontem a PJ.
Os detidos são os sócios-gerentes, gestores e directores comerciais das empresas e suspeitos também de coacção de branqueamento de capitais. Na operação foram apreendidos mais de um milhão de euros e três automóveis. Um dos detidos aguarda julgamento em prisão domiciliária, com vigilância electrónica. Os outros estão obrigados a apresentações periódicas às autoridades.
VÍTIMAS ACEITAVAM PAGAR
A actuação da alegada associação criminosa desmantelada pela Polícia Judiciária assentava na “celebração enganosa de contratos de prestação de serviços e subsequente apropriação ilegítima das verbas envolvidas”. Os suspeitos ligavam às vítimas e convenciam-nas que estas deviam determinada verba, relativa a um suposto contrato para uma lista telefónica, efectuado via telemarketing.
Quando os burlados aceitavam pagar as importâncias exigidas ou protestavam a dívida, eram colocados perante a possibilidade de revogar o falso acordo. E, ao assinarem a suposta revogação, estavam na realidade a formalizar um verdadeiro contrato e a legitimar um novo pagamento. Perante esta forma de burla, as autoridades alertam os cidadãos para não procederem a pagamentos sem se certificaram que fizeram os contratos.
PORMENORES
CILADA
O proprietário de um café em Meadela, Viana do Castelo, desconfiou quando recebeu um telefonema a informá-lo que devia 466 euros, relativos à assinatura de uma lista telefónica. O empresário armou uma cilada ao funcionário da alegada empresa credora, que foi identificado pela PSP, em Maio de 2003.
ALERTA
A tentativa de extorsão de dinheiro a alguns párocos, usando a tramóia das listas telefónicas, levou a Vigararia Episcopal de Viseu a emitir um alerta em Setembro de 2003. No documento, os sacerdotes eram avisados da forma como as pessoas estariam a ser burladas por elementos de uma empresa editora.
MENTIRA
Os alegados burlões invocavam um Decreto-Lei, provavelmente fictício, para convencer as vítimas que as conversas telefónicas as vinculavam contratualmente à empresa. Actuando desta forma, sugeriam às pessoas que não era necessário um contrato escrito para as colocar em Tribunal.
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