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Correio da Manhã

Portugal
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Força Aérea confirma caça no campo de tiro de Alcochete para controlar "densidade de javalis" e garante autorização

Em causa está a realização de eventos de caça além dos autorizados pelo ICNF. PGR e PJ Militar investigam.
Sérgio A. Vitorino 25 de Novembro de 2021 às 11:37
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Caçadas ilegais no campo de tiro de Alcochete investigadas pela PJ Militar e pelo MP

Responsáveis de uma reserva de caça próxima ao campo de tiro de Alcochete denunciaram à Justiça a realização, ao longo dos anos, de caçadas ilegais no interior daquela área militar da Força Aérea, que reagiu ao final da tarde desta quinta-feira, em comunicado.

Em causa, de acordo com o que é investigado pela Polícia Judiciária Militar e pelo Ministério Público, a realização de eventos de caça além dos autorizados pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas para a gestão da população de javalis existente no campo de tiro. De acordo com a denúncia, essas caçadas contarão com empresários convidados – alguns dos quais terão contratos públicos em negócios com a Força Aérea.

Em comunicado a Força Aéra (FA) confirma a investigação ao caso e adianta que as buscas nas instalações realizaram-se em junho, adiantando que está a colaborar com as autoridades judiciárias no caso.

Ainda, a FA esclarece que o referido campo de tiro é palco de "proliferação de espécies cinegéticas que, quando atingem valores muito elevados, provocam risco para as atividades operacionais", e justifica que "o aumento descontrolado de algumas destas espécies cinegéticas tem provocado desequilíbrios ecológicos" levando a que, para controlar estas espécies "tem-se recorrido a ações de correção de densidade de espécies cinegéticas, exclusivamente javalis, por forma a prevenir e minimizar danos na fauna e perturbação na atividade operacional, revestindo-se estas ações de caráter excecional".

A Força Aérea garante que as operações de controlo cinegético foram sempre autorizadas pelas autoridades competentes: "Foram submetidos ao Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) diversos pedidos, tendo sempre sido autorizados, o que permitiu a realização de ações de correção de densidade de javalis".

A PGR confirmou esta quinta-feira a investigação ao caso e adiantou que o inquérito está a ser conduzido pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa e que a investigação se encontra "sujeita a segredo de justiça"

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