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Correio da Manhã

Portugal
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Caçadeira arrancada aos ladrões

O final da noite de terça-feira no snack-bar Reserva, nos Moinhos da Funcheira, Amadora, até estava a ser calmo. O estabelecimento estava prestes a fechar quando quatro homens encapuzados entraram armados com uma espingarda caçadeira. No entanto, o gang não contou com a coragem de um cliente, que lhe arrancou a arma das mãos e frustrou o assalto.
29 de Dezembro de 2005 às 00:00
No momento em que o cliente do snack-bar Reserva arrancou a caçadeira a um dos gatunos soltou-se um disparo: os chumbos  desfizeram um azulejo da parede atrás do balcão do café. Por sorte, ninguém foi atingido
No momento em que o cliente do snack-bar Reserva arrancou a caçadeira a um dos gatunos soltou-se um disparo: os chumbos desfizeram um azulejo da parede atrás do balcão do café. Por sorte, ninguém foi atingido
O crime deu-se pelas 23h45. Um Fiat Croma, com sete homens no interior, estacionou perto do estabelecimento. Quatro encapuzados saem da viatura a correr e entram no café. “Um deles tinha uma caçadeira. Disseram logo que era um assalto”, disse ao CM Roni Marques, dono do Reserva.
A primeira vítima dos gatunos foi um cliente, com cerca de 30 anos. “Quando ele se sentiu ameçado pela arma, puxou-a das mãos do gatuno. Ainda foi feito um disparo, que não atingiu ninguém. O chumbo ficou cravado na parede”, acrescentou o comerciante.
Derrotados, os quatro abandonaram o café em direcção ao carro, que arrancou a alta velocidade. A Polícia Judiciária, que apreendeu a caçadeira, investiga o caso.
INSEGURANÇA AUMENTA
Moradores e comerciantes dos Moinhos da Funcheira, Amadora, têm poucas dúvidas sobre o aumento da criminalidade na zona. A insegurança aumenta e, só na rua 13 de Abril, onde vários cafés estão abertos ao público, são já vários os assaltos a lamentar. O proprietário do um dos estabelecimentos comerciais, que preferiu manter o anonimato, não hesita em afirmar que muitas pessoas já só aceitam trabalhar armadas.
“Estou certo de que à noite os comerciantes só se sentem tranquilos com uma arma debaixo do balcão”, disse ao Correio da Manhã a mesma fonte. A falta de uma estratégia de policiamento na zona é igualmente um dos temas principais de conversa. “Os moradores da zona estão fartos de, a todas as horas do dia, nem sequer verem um polícia em patrulha por aqui”, disse à nossa reportagem uma moradora. O caminho está assim, segundo a mesma interlocutora, “completamente aberto para os gatunos”. “Antes de cada assalto eles chegam a passar aqui de bicicleta ou de mota, para depois virem atacar”, assegurou.
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