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Correio da Manhã

Portugal
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CAÇADORES DETIDOS

“Num dia a GNR avisa o pessoal, mas no outro deixam-nos entrar e depois é que começam a deter e a identificar. Isto não é correcto”. O caso do jovem caçador João Mestre, foi apenas um dos muitos que fizeram estalar na manhã de ontem o verniz entre os mais de 500 caçadores do regime livre presentes numa propriedade perto de Almodôvar e as autoridades.
27 de Outubro de 2003 às 00:00
Convencidos de que estavam a caçar numa extinta reserva de caça turística, os caçadores foram surpreendidos pela GNR e obrigados a abandonar o local, uma vez que passados cinco dias da revogação da referida reserva a mesma passou a zona de refúgio de caça, o que por lei torna proibido a prática deste desporto.
“A GNR não tem nada a ver com isto. Está apenas a cumprir o seu papel e está também a pagar pelos erros de quem decide estas coisas. O facto é que existe uma área significativa de plantações de pinheiros e sobreiros com medidas que proíbem a prática da caça uma outra área semeada, mas só agora é que passou para o refúgio de caça, depois de ter sido extinta a zona de caça turística, no passado dia 20”, explicou um dos caçadores, que preferiu 0 anonimato.
Os praticantes do regime livre consideram, por estas razões, que a alteração é ilegal, pois só pode ser efectuada no início ou no final da época de caça. Além disso, frisaram que as placas de refúgio colocadas na vedação da referida propriedade, situada entre os Montes da Maruta e das Figueiras, estrada entre Almodôvar e Ourique, não continham qualquer referência ao número do processo.
Desta forma, os caçadores decidiram invadir pelo nascer do sol os cerca de 800 hectares da herdade e obrigaram as autoridades a actuar.
Segundo o Correio da Manhã apurou, foram detidos quatro caçadores que se encontravam a caçar numa zona com árvores de tamanho inferior a 80 centímetros e numa outra área semeada. A estes, que serão presentes hoje ao Tribunal de Almodôvar, foram apreendidas as peças de caça, os cartuchos e as armas. A GNR identificou também mais de duas dezenas de caçadores que disparavam numa outra zona da propriedade.
“Se calhar, o melhor é não arriscar mais, porque senão levam-me a espingarda, a caça e os cartuxos”, salientou João Mestre.
À medida que a GNR ia procedendo às detenções e identificações, os caçadores começaram a dividir-se. Uns foram-se embora, para “evitar chatices”, mas a esmagadora maioria ficou largos minutos à espera de uma explicação por parte das autoridades ou de alguém em representação de uma federação, até porque no espaço de dois dias a situação repetiu-se naquele local.
O nosso jornal sabe que na passada quinta-feira, a GNR de Almodôvar, em colaboração com militares dos postos de Mértola, Ourique e Castro Verde, foi obrigada a afastar os caçadores que se preparavam para disparar na extinta reserva de caça turística. “Ninguém caçou nesse dia”, garantiu fonte da GNR.
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