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Correio da Manhã

Portugal
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Cadáveres já não ‘vão’ à urgência

Ordem dos Enfermeiros classificou a situação como macabra e surreal. Hospital diz que medida era temporária e já implementou novos procedimentos.
Francisco Manuel 30 de Outubro de 2014 às 08:59
Ordem dos Médicos e Ordem dos Enfermeiros revoltaram-se com caso em Aveiro
Ordem dos Médicos e Ordem dos Enfermeiros revoltaram-se com caso em Aveiro FOTO: Maria João Marques

Durante três meses, os cadáveres que chegaram ao Hospital de Aveiro depois das 17h30 passaram primeiro pelo serviço de Urgência e, só após a triagem de Manchester, eram levados às instalações do Instituto de Medicina Legal (IML). Indignada, a Ordem dos Médicos fez queixa ao Ministério Público e a Ordem dos Enfermeiros impediu que os seus profissionais continuassem a fazer a triagem. O hospital alterou agora os procedimentos: a receção de cadáveres passa a ser feita diretamente no IML, ainda que a parte documental seja processada na Urgência.

Desde agosto, passaram pela Urgência do Hospital de Aveiro 26 cadáveres. Entravam pela porta de emergência e passavam pela triagem, recebendo a pulseira preta. "Uma situação macabra e surreal", afirma Germano Couto, bastonário da Ordem dos Enfermeiros que proibiu que estes continuassem a respeitar a norma interna da unidade.

"Foi uma medida transitória, enquanto não era definida uma norma que pudesse corrigir algumas falhas que até aqui vinham existindo", explicou ao CM Rosa Aparício, do gabinete de comunicação do Hospital.

A responsável garante ainda que os cadáveres nunca estiveram junto a doentes da Urgência, pois eram triados numa área distinta do serviço. "A alteração aos procedimentos estava prevista, só foi antecipada alguns dias", frisou. O caso foi comunicado ao Ministério da Saúde. A Administração Regional de Saúde do Centro reuniu-se ontem com os responsáveis do hospital.

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