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Correio da Manhã

Portugal
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Cães andavam à solta

Um dia antes de Vira Chudnenko, uma ucraniana de 61 anos, ter sido atacada por quatro cães rottweiler, a GNR de Sintra recebeu um telefonema que alertava para três cães daquela raça perigosa que andavam à solta na zona da Várzea – onde tudo aconteceu.
23 de Março de 2007 às 00:00
De acordo com a GNR, o homem que telefonou identificou-se como funcionário da EDP. Pelas 00h10, uma patrulha deslocou--se ao local e perguntou aos moradores se tinham visto os canídeos, mas não houve quem soubesse informar. Os militares ainda bateram a zona, mas não encontraram rasto dos animais.
Cerca de sete horas depois, na zona do Casal da Granja, Vira Chudnenko saía de casa, a pé, com destino ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras de Cascais para regularizar a sua situação no País.
Andou cerca de 300 metros numa estrada de terra batida quando foi atacada pela fúria de quatro cães – um macho e três fêmeas. Foi mordida até à morte e os bombeiros só a puderam socorrer depois de a PSP ter efectuado alguns disparos de fogo, que fizeram os animais dispersar.
Os quatro cães, segundo apurou o CM, terão escapado da Quinta da Paz – onde está localizado um restaurante que só abre esporadicamente para festas de casamento. O proprietário dos cães foi identificado e prestou ontem declarações à procuradora do Ministério Público. Está em liberdade.
Os cães foram levados para o canil e abatidos ao final do dia de anteontem. Ontem, na Quinta da Paz, ainda estavam outros três cães rottweiler de guarda à herdade.
As autoridades prosseguem agora a investigação para apurar como é que os animais abandonaram a herdade e apurar responsabilidades.
Em declarações ao CM o presidente da Junta de Freguesia de São Martinho, Adriano Filipe, mostrou-se revoltado com o caso e já pediu uma reunião de urgência com o conselho de segurança e protecção civil da assembleia Municipal.
“Só tenho um rottweiler licenciado na junta. Os restantes ou estão ilegais ou foram licenciados noutro lado, porque aqui há muitas casas que servem de segunda habitação”, disse.
O marido da vítima, pedreiro de profissão, nunca mais foi visto desde que recebeu a notícia da morte da mulher. Nem a mãe dele sabe informar do seu paradeiro.
PORMENORES
4458 REGISTOS
A Direcção Geral de Veterinária tem registados 4458 cães considerados potencialmente perigosos. A maior parte deles estão concentrados em Lisboa, segue-se Faro, Setúbal e Porto.
CLUBE ACUSA
O Rottweiler Clube de Portugal lamenta a morte e atribui total responsabilidade ao proprietário dos animais. Hugo Ramos, do clube, diz que existem registados em Portugal perto de 20 mil cães daquela raça, suspeitando que existam outros tantos que não foram identificados nas juntas de freguesia, como obriga a legislação.
TRAGÉDIA
O ministro da Administração Interna, António Costa, classificou ontem de “tragédia de grande dimensão” o caso de Sintra. “Deve fazer-nos reflectir sobre a melhor forma de melhorar o controlo de cães perigosos”, disse.
RECTIFICAÇÃO
Por lapso do nosso jornal, foi publicada na edição de 23 de Março de 2007 uma notícia com o título ‘Cães andavam à solta’, de acordo com a qual se dizia, expressamente, que os cães que vitimaram mortalmente Vira Chudnenko pertenciam ao proprietário da Quinta da Paz. Uma fotografia da entrada da mencionada quinta mostrava três cães. Sucede, porém, que o conteúdo de tal notícia não corresponde à verdade, tanto no que diz respeito à proveniência dos cães, como ao alegado envolvimento do proprietário da Quinta da Paz.
Conforme o Correio da Manhã teve oportunidade de confirmar, os cães que atacaram a vítima não só não pertenciam ao proprietário da referida quinta, como nunca a ele pertenceram, desconhecendo este, por completo, a proveniência dos animais e o seu dono ou donos.
Os únicos cães que pertencem à Quinta da Paz e que se encontram na propriedade são, efectivamente, os que constam da fotografia publicada juntamente com a notícia, mas que nada têm a ver com os que provocaram a morte da vítima. Os cães da Quinta da Paz são mansos e jamais estiveram soltos ou criaram qualquer tipo de problema junto de qualquer pessoa estranha, ou não, à propriedade.
Uma vez que a mencionada notícia continha estas afirmações falsas, susceptíveis de ter causado incómodo ao proprietário da Quinta da Paz, cabe-nos repor a verdade apresentando as nossas desculpas aos leitores e na expectativa de a notícia não ter provocado danos na imagem da Quinta da Paz e do seu proprietário.
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