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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

CAIS DA FOZ DO ARELHO EM RISCO DE DESABAR

Os marisqueiros e pescadores da Lagoa de Óbidos estão preocupados com o estado do cais de embarque da Foz do Arelho, que está em risco de ruir, mas apesar dos alertas durante o Verão ainda não foram tomadas medidas e desconhece-se quando serão realizadas obras.

30 de dezembro de 2003 às 00:00

Em alguns pilares de sustentação falta a ligação à parte superior do cais, uma vez que estão completamente partidos, tornando a situação perigosa. "Já que se fala de pontes que estão a cair, porque não averiguar os cais em degradação e que são um perigo público, como é exemplo o cais da Foz do Arelho, que assenta em vários pilares e pode cair, já que é visível que um desses pilares perdeu o contacto total entre a base e o cais, e as outras 'pernas' caminham para o mesmo", denunciou Jorge Santos, residente naquela praia.

O presidente da Junta de Freguesia, António Teles, reconheceu que "há algum perigo no cais, devido à corrosão que tem roído nas bases", adiantando que relatou o caso à Polícia Marítima e à Capitania do Porto de Peniche, que por sua vez solicitou uma solução ao Instituto da Água (INAG).

Os deputados na Assembleia Municipal das Caldas da Rainha também já abordaram o assunto. Um deles, Arnaldo Rocha sugeriu que a Câmara, embora não tenha a responsabilidade pelo estado degradado desta infra-estrutura, fizesse deslocar ao local técnicos para avaliar esta situação, o que foi aceite pela autarquia. "Se o cais estiver em risco de ruir, deve ser interditado e as entidades responsáveis devem ser pressionadas para a sua reparação", defendeu.

Segundo o marisqueiro Fernando Baltazar, as condições do cais merecem o protesto de quem trabalha na Lagoa de Óbidos e para além da deficiente estrutura há outras razões de queixa: "Só serve para embarque e mal, porque está cheio de pedras. Precisávamos de um novo cais para atracagem das embarcações em condições. Só uma pessoa que conheça isto é que poderá vir aqui para dar uma volta à Lagoa", afirmou.

A obra pode vir ser a englobada num projecto de melhoramento das margens da Lagoa, que integra a criação de um passeio pedonal ao longo das margens. De acordo com a Câmara das Caldas da Rainha, foi feito um levantamento fotográfico da situação do cais e entregue ao INAG, aguardando-se uma intervenção deste organismo, que se comprometeu em ficar encarregue da obra.

A autarquia afirma-se impossibilitada de agir porque a área é da jurisdição do Ministério do Ambiente.

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