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Correio da Manhã

Portugal
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CÂMARA BURLADA EM 700 MIL EUROS

A PJ de Coimbra anunciou ontem a detenção de duas mulheres, uma das quais tesoureira da Câmara Municipal de Tondela, suspeitas da prática dos crimes de peculato e burla qualificada, que terão lesado a autarquia em mais de 700 mil euros.
14 de Agosto de 2003 às 00:43
As autoridades apuraram que há “fortes indícios” de as duas mulheres, de 64 e 44 anos de idade, terem praticado, respectivamente, crimes de peculato e burla qualificada, e pertencerem a uma rede nacional de desvio de fundos.
A mais velha, tesoureira principal da Câmara Municipal de Tondela, terá desviado dinheiros públicos durante vários anos, num valor que poderá ascender a mais de 700 mil euros.
O crime foi descoberto na sexta--feira, quando uma das instituições bancárias que trabalha em cooperação com a Câmara Municipal de Tondela, detectou uma insuficiência de saldo na altura em que processava o pagamento de uma prestação, o que levou ao cancelamento das contas.
Na segunda-feira, quando confrontada com este facto, a tesoureira terá confessado de imediato aos responsáveis autárquicos a autoria do desfalque, salientando que estava “arrependida”. A PJ viria a deter a suspeita, durante a noite de terça-feira, que, em declarações posteriores, terá afirmado que o dinheiro não era para proveito próprio e teria como destino uma conta bancária fora da região.
Na sequência das investigações, a PJ deteve ainda outra mulher, residente na região de Lisboa, cuja identidade terá sido revelada pela tesoureira e que é suspeita de crimes de burla qualificada.
As autoridades recolheram alguns documentos probatórios na Câmara Municipal e outros foram fornecidos pela própria funcionária, procurando agora a PJ desvendar qual o destino exacto do dinheiro. As suspeitas indicam que as duas mulheres detidas podem estar envolvidas numa rede nacional de desvio de fundos, que seriam depositados em diversas contas bancárias espalhadas pelo País.
O presidente do município de Tondela, Carlos Marta, disse que foi “levantado um processo disciplinar” à tesoureira e foi a autarquia que, pelas 16 horas de terça-feira, pediu a intervenção da PJ.
"É uma situação muito triste e complicada que nos surpreendeu a todos na Câmara. Nunca imaginámos que isto fosse acontecer, até porque ela trabalha aqui há 36 anos e era uma profissional muito bem cotada e respeitada", concluiu o autarca.
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