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Câmara de Gaia vai constituir-se assistente no processo judicial Águas Turvas

Processo judicial Águas Turvas, relacionado com um alegado esquema de corrupção na Águas de Gaia, tem 14 arguidos.

16 de junho de 2026 às 22:47

A Câmara de Gaia liderada pela coligação PSD/CDS/PP/IL aprovou esta terça-feira, por unanimidade, uma recomendação do PS para se constituir assistente no processo judicial Águas Turvas, relacionado com alegados casos de corrupção na empresa municipal Águas de Gaia (ADGaia).

"A câmara deve constituir-se assistente no processo judicial de forma a reclamar indemnização por prejuízos causados à gestão da empresa e aos consumidores", sustenta a recomendação a que a Lusa teve acesso.

O executivo municipal aprovou ainda, na reunião pública, a criação de um Conselho de Supervisão, com funções de fiscalização, presidido por uma personalidade independente e constituído pelos vereadores, representantes da assembleia municipal, presidentes de junta de freguesia e representantes de instituições de ensino superior do concelho.

Além destas duas medidas aprovadas, a maioria do PSD/CDS-PP/IL rejeitou uma terceira proposta que defendia a realização de uma auditoria externa para determinar o montante do prejuízo causado aos consumidores para posterior devolução em desconto na fatura da água.

O vice-presidente da câmara, Firmino Pereira, que esta terça-feira presidiu à reunião do executivo municipal, explicou que a rejeição prende-se com o facto de a auditoria estar já a realizar-se, mediante informações a que teve acesso.

O processo judicial Águas Turvas, relacionado com um alegado esquema de corrupção na Águas de Gaia, tem 14 arguidos - funcionários da ADGaia, alguns com cargos de chefia, ex-funcionários e empresários ligados à construção civil e venda de materiais.

Um ex-diretor da ADGaia e um empreiteiro estão em prisão preventiva -- medida de coação mais gravosa.

"A investigação, em curso há cerca de 17 meses, incide sobre um amplo esquema organizado de criminalidade económico-financeira, desenvolvido através da conjugação de esforços entre empresários do setor privado e funcionários da Empresa Municipal Águas de Gaia, com poderes decisórios relevantes no âmbito da contratação pública e sua respetiva execução", adiantou a Polícia Judiciária (PJ) em comunicado divulgado a 26 de maio, dia das detenções.

O Ministério Público (MP) sustenta que os funcionários da Águas de Gaia manipularam, alegadamente, dezenas de contratos para adjudicação ao mesmo empreiteiro em troca de dinheiro, eletrodomésticos, compras, jantares, férias, obras em casa e consultas médicas.

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