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Correio da Manhã

Portugal
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Câmara de Moura nega ter pedido a trabalhadores para não participarem na manifestação nacional

CDU acusa organismo de pedir aos trabalhadores para avisarem e tirarem um dia de férias se quisessem participar na ação de sexta-feira.
Lusa 29 de Janeiro de 2020 às 23:13
Moura, Beja
Moura, Beja FOTO: Raquel Wise
A Câmara de Moura (PS) negou esta quarta-feira ter coagido trabalhadores a não participarem na manifestação nacional de sexta-feira, esclarecendo que os informou de que não os dispensa de serviço para irem ao protesto.

A CDU denunciou esta quarta-feira que a Câmara de Moura, no distrito de Beja, pediu aos trabalhadores para avisarem e tirarem um dia de férias se quiserem participar na manifestação nacional de sexta-feira, em Lisboa, acusando a autarquia de "limitar o direito à greve e à manifestação".

Num esclarecimento enviado à Lusa, a câmara refere que a acusação da CDU deriva do "facto de ter sido efetuada uma informação aos trabalhadores" do município "sobre a intenção" do executivo "de não conceder dispensa de serviço aos trabalhadores que pretendam participar na manifestação" de sexta-feira em Lisboa.

A Câmara de Moura "nunca por nunca obstaculizou o direito de qualquer trabalhador a participar na manifestação, ao abrigo do seu direito à greve, aliás, não o poderia fazer, nunca o fez e nunca o fará", e "não coagiu, ameaçou, interferiu ou cometeu qualquer ilegalidade", refere o executivo socialista.

Em declarações à agência Lusa, após o envio de um comunicado, o vereador da CDU André Linhas Roxas disse que foi afixada, nos serviços operacionais, uma "informação" do executivo PS que "procura coagir os trabalhadores, obrigando-os a abdicar de um dia de férias para participarem na manifestação".

No esclarecimento, o executivo explica que, no dia 24, recebeu uma comunicação do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local e Regional, Empresas Públicas, Concessionárias e Afins (STAL), um dos sindicatos que representa os trabalhadores da Câmara de Moura, a pedir ao município para conceder dispensa de serviço aos trabalhadores da autarquia para poderem participar na manifestação nacional.

No mesmo dia, como forma de esclarecer os trabalhadores em relação ao pedido do STAL, o executivo refere que fez a seguinte nota: "Informa-se de que todos os trabalhadores que se encontrem interessados em participarem da manifestação nacional, a realizar no próximo dia 31, em Lisboa, deverão fazer chegar antecipadamente à secção dos recursos humanos uma participação de ausência por conta do período de férias".

Desta forma, o município "informou os trabalhadores que não concederia dispensa de serviço para participação em manifestação, conforme solicitado pelos seus representantes".

"Resulta clara a intenção" da CDU de "querer confundir a população e os trabalhadores", refere a autarquia, considerando que as acusações dos comunistas "resultam de uma evidente necessidade de diabolizar a ação" do executivo camarário de maioria PS, numa "conduta que revela a mesquinhez e o desconforto que caracteriza a ação do PCP/Moura desde que perdeu o poder".

A Frente Comum da Administração Pública, da CGTP, convocou em dezembro uma manifestação nacional para 31 de janeiro contra a proposta de aumentos salariais de 0,3%, a que se seguiu o anúncio de greves nacionais por parte das estruturas da UGT - a Federação Nacional dos Sindicatos da Administração Pública (Fesap) e a Frente Sindical liderada pelo Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE).

Entretanto, várias organizações setoriais marcaram também greves para 31 de janeiro, como são os casos da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), afeta à CGTP, da Federação Nacional dos Sindicatos dos Enfermeiros (FENSE), da Federação Nacional dos Médicos (FNAM) e do Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores de Saúde das Áreas do Diagnóstico e Terapêutica.

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