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Correio da Manhã

Portugal
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Câmara de Óbidos obriga habitantes a caiar casas

Os proprietários de prédios situados no perímetro muralhado de Óbidos, que não procedam à caiação das casas até Setembro, poderão ter de pagar uma coima com um valor entre 100 e 2500 euros. A decisão, da Câmara Municipal, pretende promover a conservação da imagem de marca da vila medieval: o casario branco com barras de outras cores.
26 de Março de 2005 às 00:00
A autarquia lançou um programa especial de apoio à caiação dos edifícios e determinou que os proprietários dos prédios urbanos, que no ano passado não procederam aquela melhoria, devem fazê-lo nos próximos seis meses, aproveitando os meios que o município põe à sua disposição. Caso contrário, poderão ser multados a partir de Setembro.
Segundo o presidente da Câmara Municipal, Telmo Faria, “os prédios no centro histórico e zona especial de protecção da vila deverão obrigatoriamente ser caiados de branco, podendo possuir faixas ou barras de outra cor, conforme os usos da vila, estando expressamente proibida a utilização de tintas sintéticas de qualquer cor”.
Através do Gabinete de Gestão do Património Histórico de Óbidos, a autarquia prestará apoio a todos os munícipes que o solicitem, “designadamente com o fornecimento gratuito da cal e dos pigmentos”. Os munícipes devem comunicar a pretensão de caiar os prédios de que são proprietários, bem como as cores que pretendem utilizar nas faixas ou barras e podem requerer a isenção de licença à Câmara Municipal.
A autarquia “disponibiliza os seus serviços para executar a caiação, paga por área das habitações, “e o incumprimento da melhoria “é punido com coima a fixar entre 99,75 euros e 2493,98 euros”, explicou Telmo Faria.
O objectivo da medida é preservar a identidade da vila de Óbidos, cuja malha urbana é composta por casas de cores tradicionais e alegres, contrastando com o branco da cal, a que se aliam os telhados de telha mourisca e as janelas ladeadas de vasos floridos suspensos.
Por tradição, as casas são brancas, com barras amarelas ou azuis, caiadas assim originalmente por três razões: afastar o mau-olhado de vizinhos invejosos, marcar a divisão da propriedade (barras verticais) e impedir que se visse o sujo dos salpicos de lama nas paredes (barras horizontais junto ao chão).
O casario bem cuidado, alinhado pelo empedrado das ruas e vielas dentro das muralhas, é fundamental para manter a imagem turística e histórica de Óbidos, considerada uma das vilas medievais melhor conservadas do Mundo.
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