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Correio da Manhã

Portugal
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Campeões da Matemática

Hoje e amanhã decorrem as provas da final nacional das Olimpíadas de Matemática. Dos 25 mil alunos que concorreram, sobram os 60 melhores, que vão mostrar o que valem na Escola José Gomes Ferreira, em Lisboa. O CM dá a conhecer dois dos finalistas
23 de Março de 2007 às 00:00
IDA À FINAL VALEU-LHE BAPTISMO DE VOO
A primeira viagem de avião de João Matias foi entre Lisboa e a Madeira, há dois anos. A Final Nacional das Olimpíadas de Matemática realizou-se no Funchal. “Foi uma prova muito mais estimulante. Todos queriam ir”, recorda o jovem de 17 anos. Acabou por conquistar uma medalha de bronze. Este ano, as provas são na sua escola, a José Gomes Ferreira, em Lisboa.
O gosto pela disciplina surgiu na primária. E aumentou à medida que os problemas iam exigindo mais. “No 8.º ano eram mais desenvolvidos e pediam mais raciocínio e foi aí que fiquei adepto da Matemática”, conta o aluno do 12.º.
O segredo para obter bons resultados numa disciplina tão maltratada pelos alunos é... o gosto. “Vai-se interiorizando. Faço uns problemas e muitas vezes só uns dias depois é que consigo resolvê-los. Sou capaz de ir na rua a pensar numa resolução até que tenho a tal luz.” O treino para as provas baseia-se em resolver exercícios que saíram noutras finais. Os mais complicados são os melhores. “Ajudam a pensar e a treinar o cérebro.” Cabular não é uma opção: “Para estas provas eram precisas muitas cábulas.”
João não se considera marrão. Até acha que devia estudar mais. Dá o exemplo do que lhe aconteceu no 9.º ano. “Andei um pouco na balda, não cheguei à final.” Serviu-lhe de emenda e nos dois últimos anos conseguiu conquistar medalhas. Feito que repetiu nas Olimpíadas Ibero-Americanas, realizadas no Equador. Os colegas apoiam e motivam. Namorada não tem. “Há tempo para isso”, vai dizendo.
Os tempos livres são dedicados ao estudo, mas também às novas tecnologias: computador, consola e internet são os passatempos preferidos do aluno da José Gomes Ferreira, que também aproveita para “treinar bateria”.
A fama do craque já atingiu a família: os pais foram entrevistados para o último número do ‘Voz Activa’, jornal escolar da José Gomes Ferreira.
A DESVANTAGEM DE 'JOGAR' EM CASA
O aluno finalista do secundário já é ‘batido’ neste tipo de provas, mas nem por isso deixa de se sentir motivado. “Muitas vezes associam-se as Olimpíadas da Matemática a passeatas. Nesse aspecto, para mim é uma desvantagem a final ser na minha escola.” No entanto, há pontos positivos: “É interessante para mostrar a escola aos meus amigos.” Até porque quem concorre às provas desde o ensino básico acaba por reencontrar os mesmos finalistas. “Há muitos repetentes, no sentido positivo”, indica. João considera que também seria vantajosa a criação de provas nacionais do mesmo género para os estudantes do Ensino Superior. “Ajudava a estimular o gosto pelas matérias.”
JOÃO MATIAS - PERFIL
João Pedro Correia Matias tem 17 anos e é aluno do 12.º ano na Escola Secundária José Gomes Ferreira, em Benfica. Participou nas Olimpíadas de Matemática no 8.º, 10.º e 11.º anos, tendo marcado presença em 2006 nas Olimpíadas Ibero-Americanas, que decorreram no Equador. Já obteve três medalhas de bronze (uma delas no Equador). Há poucos dias recebeu o resultado do teste intermédio de Matemática, realizado em Março: 19,8 valores. No final do 1.º período teve 18 na disciplina. O lisboeta quer seguir Matemática Aplicada à Computação, no Instituto Superior Técnico.
FUTURO QUÍMICO QUER TRIUNFAR NAS CONTAS
A primeira participação, no ano passado, em que ficou pela primeira eliminatória, foi apenas o aquecimento para o brilharete de Miguel Lopes ao passar à final das Olimpíadas da Matemática que hoje começam. Chegado a esta fase, o aluno do 9.º ano do Colégio Internato dos Carvalhos, em Gaia, pensa que se estiver ao seu nível não terá dificuldade em resolver a prova com sucesso. “Não sei se vou ganhar, mas se estiver concentrado penso que conseguirei resolver a prova facilmente”, afirmou ao CM.
Para o jovem, as Olimpíadas são provas mais estimulante do que os testes de Matemática que faz na escola. “Normalmente, os professores testam apenas as fórmulas. Só nos exercícios finais avaliam o raciocínio. As Olimpíadas valorizam quem pensa bem e tem problemas mais complexos”, revela.
Confessa que a preparação para a final foi muito simples: “Apenas resolvi as provas dos anos anteriores.” “Também não há muito mais a fazer a não ser praticar matemática todos os dias”, conclui.
Miguel Lopes não esconde a paixão pela disciplina que, ao contrário do que muitos colegas pensam, “pode resolver problemas do quotidiano”.
Com uma maturidade desfasada da idade que ostenta no BI, Miguel pensa que grande parte dos problemas que os jovens têm com a matemática advêm “em primeiro lugar das bases que se tem na escola primária e essencialmente do acompanhamento que os pais dão em casa”. Para o sucesso no domínio dos números, destaca precisamente a excelente professora da primária e o apoio da família.
Apesar da sua tenra idade, a Miguel não faltam projectos para o futuro. “Gosto muito de poder explicar coisas às pessoas que elas não sabem, mas também quero fazer investigação. Se for possível juntar as duas era perfeito. A minha área de eleição é a química”, revelou.
VONTADE DE CONHECER LISBOA
Nem tudo nas Olimpíadas é competição e a Miguel entusiasma a possibilidade de conhecer melhor Lisboa. “Ainda não conheço muito bem a cidade. Como vamos estar quatro dias lá, acho que terei essa possibilidade”, disse o participante de Gaia. Aliciante extra é a hipótese de poder encontrar colegas que partilham a paixão pelos números. “Conhecer pessoas novas e com diferentes formas de pensar é uma mais-valia deste concurso”, afirma o estudante. Miguel disse ao CM que, além da Matemática, não dispensa uma boa partida de andebol ou ténis, que pratica regularmente. A música é um hóbi que mantém desde os sete anos. “Adoro tocar piano”, salientou.
MIGUEL LOPES - PERFIL
Miguel Lopes tem 15 anos e frequenta o Colégio Internato dos Carvalhos, em Gaia, e já tem um sonho profissional: ser professor e investigador na área de Química. Por enquanto está concentrado nas Olimpíadas da Matemática que hoje se iniciam em Lisboa. O interesse pela disciplina nasceu quando, motivado pela professora da escola primária, começou a gostar de trabalhar com os números. Na primeira eliminatória da competição, que terminou em apenas uma hora, foi um dos dois alunos da sua escola a passar à fase seguinte. Cumpriu mais uma eliminatória até chegar à final. Está confiante e, apesar de não prometer a vitória, pensa que pode resolver a prova com facilidade.
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