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Correio da Manhã

Portugal
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CÃO GERA TIROS E FERIDO

A reacção negativa à aproximação de um cão pequeno por parte de um indivíduo que se encontrava estendido ao sol à beira-mar, na vila de Darque, em Viana do Castelo, provocou na tarde de domingo uma violenta cena de pancadaria envolvendo o banhista e o dono do animal. Toalha e correntes foram usadas para agressões, que acabaram com disparo de caçadeira.
16 de Setembro de 2003 às 00:00
Teresa Barros defende Paulo Queirós e repudia agressões a animais
Teresa Barros defende Paulo Queirós e repudia agressões a animais FOTO: Rui Moreira
O proprietário do cão, um jovem de 18 anos que passeava junto ao cais de Darque, decidiu soltar o animal, que se abeirou de Paulo Arriscado Queirós, que se encontrava deitado sobre uma toalha. Como não gostou da companhia do animal, o banhista tentou afastá-lo, tendo usado eventualmente alguma violência que desagradou a João Peres Filipe, dono do cão.
Com a toalha numa mão e a corrente do cão na outra, o jovem agrediu de forma violenta Paulo Queirós, que ontem tinha viagem marcada de regresso ao Canadá, onde está emigrado. Depois de ter conseguido fugir, o agressor foi a casa (situada a cerca de 200 metros do local), regressou com uma caçadeira e disparou sobre João Filipe, atingido num joelho.
Após o disparo, Paulo Queirós acalmou, também com a ajuda de alguns populares, que curiosamente procuraram apoiar os dois indivíduos envolvidos na contenda, até porque ambos residem em Darque. Os Bombeiros conduziram Pedro Filipe ao Hospital (de onde teve alta algumas horas depois), enquanto a GNR procedeu a identificações e averiguações para processo criminal.
"PERDEU A CABEÇA"
Na Vila de Darque, a população mostrou-se ontem compreensiva com a "atitude radical" do emigrante Paulo Queirós. Embora recusando identificar-se "por se darem com ambos" alguns populares sublinharam o "bom carácter" do indivíduo que se encontrava ao sol e que disparou de caçadeira sobre João Filipe, depois deste "o ter amassado todo com a toalha e as correntes". Lembraram mesmo alegados antecedentes de familiares do dono do cão e referiram-se ao jovem como sendo, "por vezes, problemático".
"O Paulo é um rapaz pacato, muito simples e nunca se mete com ninguém. Certamente, perdeu a cabeça e quase desgraçava por completo a vida dele. Só espero agora que não lha estraguem mais por causa disto", comentou a darquense Teresa Barros, que ontem passava junto ao local onde na tarde de domingo ocorreram as cenas de pancadaria. Ressalvou, no entanto, que o emigrante "também não deveria ter feito mal ao cão, porque o bicho é muito pequeno, e não mordeu nem faz mal a ninguém".
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