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Correio da Manhã

Portugal
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Caos no aeroporto

Ao fim de cinco dias de espera, embarcaram ontem alguns dos passageiros que aguardavam voo para São Tomé e Príncipe e para a Guiné-Bissau com a Air Luxor.
16 de Setembro de 2006 às 00:00
Recorde-se que, desde segunda-feira, mais de uma centena de pessoas ficou retida em Lisboa, quando o voo foi cancelado: “O complicado é não haver um representante para nos dar esclarecimentos”, comentou Indira Sampaio, umas das afectadas.
As queixas eram unânimes: a transportadora Air Luxor encerrou os seus balcões em Lisboa e em Bissau, deixando os passageiros entregues à sua sorte.
Ao longo do dia de ontem o cenário no aeroporto de Lisboa era caótico: passageiros à espera, desde o início da manhã, pela abertura de um balcão que só abriu às 17h10.
Depois de algumas diligências, o Governo de São Tomé decidiu mandar regressar parte dos seus cidadãos, que ontem seguiram no voo MMZ508 da Euroatlantic. O momento do ‘check-in’ foi o mais complicado: “Disseram-nos para estarmos aqui às 14h00 e o ‘check-in’ só começou depois das 16h00”, reclamava uma mulher no fim do tempo de gravidez, a quem a funcionária de serviço impediu de passar à frente.
Os problemas das pessoas incidiam, sobretudo, na falta de dinheiro, de roupa, no facto de terem vistos caducados e também no medo de perderem os empregos.
Parte dos afectados foi instalada no Hotel Zurique, em Lisboa. Karyna Gomes queixa-se do serviço prestado pelo hotel: “Tenho uma filha de quatro anos e não me deixaram tirar dois iogurtes da sala de refeições para lhe dar.”
Na quinta-feira, o Instituto Nacional de Aviação Civil (INAC) retirou a licença de voo à Air Luxor. Silvestre Alves, jurista e porta-voz dos passageiros lamenta: “O INAC diz que não pode fazer nada? Andam a sacudir areia para cima uns dos outros?”
A TAP assegurou ontem o transporte de 30 pessoas com bilhete para a Guiné-Bissau – mas apenas até Dakar, no Senegal. Esta noite leva mais 14. A ligação de Dakar à Guiné será feita pela Air Senegal.
A companhia francesa Aigle Azur revelou ontem que exige uma indemnização à Air Luxor devido às ligações comerciais que mantinham. No dia 4, dois aviões da Air Luxor ao serviço da Aigle Azur foram arrestados no aeroporto de Orly, em Paris, por causa das dívidas da companhia portuguesa à sua congénere australiana Ansett.
Com o fim anunciado da Air Luxor, a TAP volta a ter o monopólio dos voos para os PALOP, uma vez que a sua rota inclui voos regulares para Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Senegal e Cabo Verde.
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