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Correio da Manhã

Portugal
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Capitão da GNR condenado

O capitão da GNR José Pires, acusado de deserção por faltar a uma junta médica após um conflito com a hierarquia do Comando do Porto, em 2005, motivado pela recusa de manter o policiamento no Estádio Municipal de Braga, foi ontem condenado a 18 meses de prisão, com pena suspensa por dois anos.
30 de Maio de 2007 às 00:00
O militar da GNR, José Pires, recusou qualquer acto de deserção
O militar da GNR, José Pires, recusou qualquer acto de deserção FOTO: João Carlos Malta
Após o acórdão transitar em julgado, o militar tem dez dias para se apresentar no seu posto de trabalho, caso contrário terá mesmo de cumprir pena de prisão efectiva. Todavia, o ex-comandante do Destacamento de Braga da GNR, José Pires, já revelou que vai recorrer para a Relação.
A juíza Manuela Paupério considerou que o capitão Pires actuou com “dolo intenso e directo”, mantendo de forma deliberada “um braço-de-ferro persistente” que teve repercussões negativas para a imagem exterior da GNR. A magistrada entendeu que não restaram dúvidas de que aconteceu um crime de deserção.
“Não podia desrespeitar uma decisão só porque não era igual à sua. É um mau exemplo para os seus subordinados”, afirmou a juíza, tendo ainda acrescentado que José Pires devia “ter continuado a cumprir os seus deveres militares até que a sua situação estivesse resolvida”.
Recorde-se que o caso começou em Agosto de 2005 quando José Pires foi desautorizado pelo superior hierárquico, o comandante interino da Brigada Territorial n.º 4 da GNR, que o obrigou a montar policiamento a um jogo do Sporting de Braga.
José Pires apresentou a demissão e antecipou as férias. Nesse período, pediu a passagem à reserva, o que lhe foi negado. Esteve depois de baixa médica por problemas do sistema nervoso mas faltou à junta médica em Março de 2006, sendo então alvo de um processo disciplinar por deserção.
"DEPOIS DECIDIREI SE REGRESSO"
O capitão José Pires continua a clamar pela sua inocência. “Penso que estou inocente. Esperava ser absolvido porque, apesar de ter faltado, a 28 de Março de 2006, à junta médica sem ter justificado no prazo legal a falta, no dia 4 de Abril apresentei-me na Brigada n.º 4 da GNR, tendo assim praticado um acto de serviço”, disse o arguido. O ex-comandante do Destacamento de Braga da GNR revelou ainda: “Só quando o caso transitar em julgado, depois do recurso, equacionarei o regresso à GNR”. Por enquanto, José Pires continua também à espera do resultado do recurso para o Ministério da Administração Interna. O seu advogado, Fernando Castro Moreira, anunciou que “o processo ainda não acabou”. “Esperava que o meu cliente nem sequer fosse julgado”, disse o causídico sobre a sentença.
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