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Correio da Manhã

Portugal
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CARBONIZOU A MÃE

Uma mulher de 53 anos foi esfaqueada, regada com gasolina e queimada até à morte por um filho de 24 anos, pelas 13h45 de ontem, numa casa de banho do Centro de Saúde da Lousã, para onde a mulher se tinha refugiado em busca de auxílio. Segundo vizinhos e familiares, há já vários anos que Jorge Melo, conhecido na vila por ‘Joca’, ameaçava de morte a mãe, apesar de Mariana Melo ser “a pessoa que mais gostava dele”, sendo a sua agressividade justificada com “a doença”.
3 de Janeiro de 2004 às 00:00
“O meu irmão tem uma doença, quando bebe álcool ou toma drogas fica passado da cabeça, torna-se agressivo e vira-se contra a mãe”, contou Telma Melo, filha da vítima, adiantando que, numa outra ocasião, a mãe fugiu para o Centro de Saúde quando estava a ser agredida. ‘Joca’ sofre de esquizofrenia, doença que já provocou o seu internamento em instituições de saúde.
Ontem, ao chegar a casa para preparar o almoço, com um saco de compras em cada mão, Mariana Melo encontrou o filho sentado à entrada do prédio onde mora, na rua Dr. Pires de Carvalho. Não se sabe o que disseram, mas pouco depois a mulher, acompanhada das filhas de 16 e 19 anos, entrou a correr no Centro de Saúde, refugiando-se na casa de banho destinada aos funcionários.
Segundo Telma Melo, a mãe refugiou-se ali “por pensar que iam defendê-la, mas todos fugiram com medo”. Para além da agressividade de ‘Joca’ não ser novidade na vila, entrou no Centro de Saúde com uma faca de cozinha – com uma lâmina de 15 a 20 centímetros – e já ninguém travou a tragédia. A mulher foi esfaqueada repetidas vezes, com tanta violência que quase foi degolada. Em seguida foi regada com uma garrafa de gasolina e queimada.
Quando os bombeiros chegaram ao local depararam com “uma coisa estranha a arder no chão” e pensaram que era “um boneco, talvez um Pai Natal” e só depois de apagar as chamas com um extintor e do fumo se dissipar é que viram o corpo, contou o comandante dos Bombeiros Municipais da Lousã, João Lopes, adiantando que havia sangue no chão e um cheiro intenso a gasolina. O corpo estava deitado de lado e as queimaduras eram mais visíveis na cabeça e nas coxas.
O homicídio e a forma violenta como ocorreu causou bastante “alvoroço” no Centro de Saúde, apesar de ter ocorrido fora da zona onde os utentes esperam para ser atendidos e só pelas 16h30, quando o corpo foi removido para o Instituto de Medicina Legal de Coimbra, é que foi retomada a “normalidade” no funcionamento.
Durante toda a tarde, centenas de pessoas concentraram-se à entrada do Serviço de Atendimento Permanente (SAP) do Centro de Saúde, insurgindo-se contra a “falta de segurança” da instituição. “Ela veio em busca de auxílio e toda a gente fugiu com medo, ninguém foi capaz de a socorrer”, disse Fernanda Campos, defendendo que Mariana Melo “não merecia esta morte. Era uma boa pessoa, muito trabalhadora e criou os filhos honestamente”.
Os familiares da vítima também manifestaram incredulidade com a situação, criticando a falta de ajuda. O homicida foi detido no Centro de Saúde, por uma patrulha da GNR chamada ao local por causa dos distúrbios que o indivíduo estaria a causar e vai ser hoje presente a Tribunal para ser interrogado por um juiz de Instrução Criminal. As investigações estão a cargo da Polícia Judiciária de Coimbra.
"HONESTA E ESTIMADA"
Mariana Melo tinha 53 anos, era natural de Angola e residia na Lousã há 20 anos. Tinha cinco filhos, mas só as duas filhas mais novas, de 16 e 19 anos, viviam com ela. O ‘Joca’ passava muito tempo fora e só ontem havia chegado a casa, regressado do Algarve. A Telma vive na vila, com o marido e o filho mais velhoestá em Londres, Inglaterra.
O dia-a-dia de Mariana Melo era passado a fazer limpezas e a tomar conta de uma pessoa idosa. As patroas falam dela com carinho, consideram-na “muito trabalhadora e honesta”, tendo-lhe por isso “grande estima”.
Os vizinhos sabiam do sofrimento que o filho ‘Joca’ lhe causava sempre que deixava de tomar a medicação ou ingeria drogas ou álcool, mas nunca lhe ouviram uma queixa, uma crítica ou mesmo um desabafo. “É meu filho, tenho de cuidar dele”, costumava dizer quando era confrontada com as ameaças que se ouviam do outro lado da rua.
VIOLÊNCIA
QUEIMADO
Um funcionário do Tribunal de Abrantes, de 49 anos, foi encontrado carbonizado no interior do carro, a 1 Novembro de 2002. A mulher da vítima, suspeita de homicídio, foi encontrada morta em casa, três dias depois, tudo indicando que se tenha suicidado.
BARBARIDADE
Um comerciante de materiais de construção, de 58 anos, sequestrou a ex-companheira, matando-a com um tiro de pistola à queima-roupa, a 25 de Novembro de 2002, em Caldas da Rainha. Após o crime, o homicida foi entregar o corpo da vítima à GNR. O Tribunal considerou o caso de contornos bárbaros e condenou o indivíduo a 20 anos de prisão.
ARRASTADA
Uma mulher de 69 anos foi arrastada para a morte, por dois assaltantes que lhe roubaram a mala. O caso ocorreu em Junho de 2003, no centro de Amora, quando a vítima ia para uma sessão de fisioterapia. Dois indivíduos, circulando numa viatura ligeira, agarraram na mala da idosa, arrastando-a 50 metros pelo asfalto até bater com a cabeça no lancil e morrer.
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