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Correio da Manhã

Portugal
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Cardeal-patriarca condena a banalização da morte

O cardeal-patriarca de Lisboa considerou ontem, na homilia da Missa Pascal, que “a banalização da morte” numa sociedade onde se mata facilmente e onde se coloca a vida em perigo de forma imprudente “dificulta a fé na ressurreição de Cristo”.
9 de Abril de 2007 às 00:00
D. José Policarpo, que celebrou na Sé Catedral de Lisboa, defendeu que “não acreditar na ressurreição de Cristo mata a fé cristã, embora possa permitir a subsistência de uma religiosidade cristã”.
Numa tentativa de identificar as causas das actuais dificuldades em acreditar na ressurreição de Cristo, o cardeal patriarca referiu que uma delas será “a banalização da morte no seu aspecto de fim de vida”.
Por outro lado, refere, os hábitos da sociedade actual escondem cada vez mais “a dramaticidade do mistério da morte” e quase impedem a “crença na ressurreição”.
“Mata-se facilmente, põe-se, imprudentemente, a própria vida em perigo, a morte tornou-se um fenómeno clínico, a própria dor da morte se dilui em cerimónias fúnebres, mais marcadas pelos hábitos culturais do que pela vivência da densidade da vida”, realçou D. José Policarpo.
Mas, nas missas pascais de ontem, a Igreja falou também dos vivos, com destaque especial para as famílias.
Pedindo ao Governo “mais apoio à família”, o arcebispo primaz de Braga, D. Jorge Ortiga disse que, “os custos para viver com o mínimo de dignidade estão em vertiginoso crescimento. Projectar um futuro numa atenção aos filhos é não só uma operação de engenharia económica mas quase um milagre”.
D. Jorge Ortiga reclamou “políticas familiares autênticas e eficazes”, referindo que “a verdadeira família é aquela que é alicerçada no sacramento do matrimónio”. “Deve valorizar-se e promover-se a identidade da família, sociedade natural fundada sobre o matrimónio e demarcada de outras convivências, que da família, pela sua natureza, não podem merecer nem o nome, nem o estatuto”, disse.
O arcebispo de Braga reclamou ainda o salário como direito fundamental da família, referindo que “só um trabalho adequado e um salário justo, num cuidado às políticas fiscais que agravam permanentemente os agregados familiares, defendem e promovem a família”.
IRAQUE ENTRISTECE PAPA
O Papa lembrou ontem a situação no Médio Oriente e os múltiplos conflitos em África na mensagem pascal. O olhar de tristeza de Bento XVI recai sobre o Iraque, “um país ensanguentado por contínuos massacres e fuga de populações civis”. O Papa lamentou a falta de “sinais positivos” vindos desse país e depositou esperança “no diálogo entre Israel e a Autoridade Nacional Palestiniana”. Sobre a situação em África, Bento XVI sublinhou a apreensão em relação a Darfur, República do Congo e Somália.
OUTRAS MENSAGENS
AJUDAR OS OUTROS
Esta foi a mensagem de D. Manuel Clemente, bispo do Porto. Após a Semana Santa, devemos ter “mais intimidade com Cristo e mais atenção aos outros”.
VIVER SEM VAIDADE
D. Manuel Pelino, bispo de Santarém, realçou que só podemos viver a Páscoa sem influências negativas como a arrogância, a vaidade, a vingança, o relativismo e a frivolidade.
MISSSA É FUNDAMENTAL
D. António Braga, bispo de Angra, disse que participar na Missa é celebrar a vitória pascal de Cristo, referindo que não é um rito desligado da vida.
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