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Correio da Manhã

Portugal

Carlos Castro: Juiz "frustrado" com atraso no processo

O juiz do caso Carlos Castro declarou-se nesta sexta-feira "frustrado" com o andamento do processo, depois de a Procuradoria de Nova Iorque ter falhado novamente a entrega em tribunal do relatório psiquiátrico de Renato Seabra, acusado do homicídio do colunista.
17 de Fevereiro de 2012 às 20:38
Advogado de defesa de Renato Seabra, David Touger, considerou "inacreditável" a "espera de dois a três meses" pelo relatório e por análises de DNA que a acusação também tem de entregar
Advogado de defesa de Renato Seabra, David Touger, considerou 'inacreditável' a 'espera de dois a três meses' pelo relatório e por análises de DNA que a acusação também tem de entregar FOTO: Lusa

No final de uma curta sessão no tribunal de Nova Iorque, em que esteve presente Renato Seabra e, na audiência, a sua mãe, o juiz Charles Solomon reagendou para a próxima sexta-feira, dia 24, a entrega do relatório, admitindo chamar o psiquiatra a dar explicações em tribunal.

O advogado de defesa de Renato Seabra, David Touger, considerou "inacreditável" a "espera de dois a três meses" pelo relatório e por análises de DNA que a acusação também tem de entregar.

Quando a procuradora Maxine Rosenthal protestou, a sessão parecia encaminhar-se para uma discussão acesa semelhante às registadas anteriormente, mas o juiz interveio para serenar os ânimos.

"Não têm de discutir. Também estou um pouco frustrado com isto. Não culpo ninguém, só quero que isto seja feito", disse Solomon.

A justificação apresentada pela procuradora foi que o perito encarregado do relatório está "fora da cidade e precisa de mais uma semana", segundo disse no final da audiência o advogado David Touger.

Seabra está acusado de homicídio em segundo grau pela procuradoria de Nova Iorque.

O caso remonta a 7 de Janeiro de 2011, quando Carlos Castro, de 65 anos, foi encontrado nu e com sinais de agressões violentas e mutilação nos órgãos genitais no quarto de hotel que partilhara com Seabra, em Manhattan.

O relatório apresentado pela defesa aponta para "doença ou debilidade mental", como motivo do crime, o que pode mesmo conduzir a uma absolvição e a uma posterior audiência sobre se Seabra está em condições de ser libertado.

Se o relatório da Procuradoria sustentar a mesma conclusão, "será difícil" haver sequer um julgamento, disse Touger.

Se a conclusão for em sentido inverso, o julgamento terá lugar depois de Março, afirma o advogado, e deverá estar concluído em menos de um mês.

Seabra foi interrogado duas vezes pelo psiquiatra contratado pela procuradoria, com recurso a um intérprete, e sujeito a um teste escrito em português.

 


O psiquiatra pediu também para interrogar a mãe do jovem, mas esta admitiu responder apenas por escrito, o que foi rejeitado.

O jovem continua na prisão de Rikers Island, por decisão do departamento penal de Nova Iorque, medicado e sujeito a vigilância médica.

De fato cinzento e gravata, o jovem português mostrou-se muito concentrado nas palavras do tradutor durante a sessão e ao sair da sala escoltado pela polícia demorou-se a olhar para a mãe na audiência.

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