A cela onde a irmã Lúcia passou 55 anos da sua vida foi reconstituída no museu em memória da vidente de Fátima que as religiosas Carmelitas de Santa Teresa inauguram amanhã em Coimbra.
A cela integra o segundo piso do Memorial Irmã Lúcia, um edifício projectado pelo arquitecto Florindo Belo Marques e construído de raiz nos terrenos anexos ao convento.
Maria Celina de Jesus Crucificado, madre da comunidade a que pertenceu a vidente, falecida em 13 de Fevereiro de 2005 aos 97 anos, explica à Lusa que a ideia de erguer um espaço em sua homenagem visou satisfazer um pedido de “muitas pessoas”.
“Compreendo o desejo das pessoas de irem àquela cela, mas tal não é possível”, diz, justificando a recusa com a clausura a que as religiosas estão obrigadas, o que implica não revelar os aposentos a quem seja estranho à congregação.
O novo espaço, aberto ao público a partir de amanhã, acolhe todo o mobiliário e objectos pessoais que pertenceram a Lúcia de Jesus nos 55 anos que esteve no Carmelo, incluindo bens relativos aos últimos anos de vida.
Quando já estava doente, Lúcia dispôs de uma cama articulada, mas a réplica da cela, derradeira atracção de um percurso museológico que abrange rés-do-chão e primeiro andar do memorial, vai expor a sua cama de carmelita, facilmente desmontável, feita com dois bancos e algumas tábuas.
Os visitantes podem ainda observar o chamado “banquinho dos livros”, espécie de estante rasteira usada como assento, dispondo também de uma tábua amovível que as Carmelitas colocam sobre os joelhos para servir de escrivaninha. Há ainda uma cadeira de madeira. “A irmã Lúcia gostava muito dela. Dizia que lembrava a cadeira da mãe!”, conta Maria Celina.
Uma cruz despida, comum a todas as celas, ostenta agora um terço produzido com pedaços do Muro de Berlim, feito por um emigrante português que o ofereceu à vidente após a queda dos regimes comunistas do Leste europeu.
A máquina de escrever Olivetti em que costumava responder às pessoas que lhe enviavam cartas está exposta, tal como uma mala cheia de correspondência de todo o mundo, um velho dicionário de Português e uma pia de água-benta.
ESPÓLIO "POBRE, COMO SERIA DE ESPERAR"
Do ponto de vista museológico, “o espólio é relativamente pobre, como seria de esperar” de uma carmelita, refere Berta Duarte, da Casa da Cultura da Câmara de Coimbra, a quem coube “conceber o programa do museu, uma ideia de percurso” a partir dos recursos disponíveis.
A especialista, que assumiu o trabalho a pedido do arquitecto Florindo Belo Marques, projectou um painel com texto e imagens, com 60 centímetros de altura e dezenas de metros de comprimento, que acompanha todo o percurso da exposição.
O painel, que inclui reproduções de manuscritos de Lúcia de Jesus e fotos inéditas dos seus álbuns pessoais, representa “todo o seu percurso de vida” desde o nascimento, na pequena aldeia de Aljustrel, Fátima, até à morte, em 2005, em Coimbra.
O memorial, que dispõe de uma sala para conferências e projecções, situa-se na Rua Marnoco e Sousa, próximo do Penedo da Saudade e paredes-meias com a sede da Associação Nacional de Municípios Portugueses.
ESPAÇO
No Memorial Irmã Lúcia predominam as madeiras claras e grandes vitrinas. O chão foi pintado em tom de creme e as paredes vestem de castanho, reproduzindo as cores dos hábitos das irmãs Carmelitas.
OBJECTOS
Uma casula e uma batina, oferecidas à vidente de Fátima por João Paulo II, e um paramento romano, doado pelo rei Humberto de Itália, integram a exposição permanente.
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