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Correio da Manhã

Portugal
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CARNICEIRO DE BRISTOL EM TRIBUNAL

O emigrante português acusado pela Justiça inglesa do duplo homicídio de dois compatriotas, em Janeiro deste ano, vai comparecer hoje no Tribunal de Bristol.
1 de Setembro de 2003 às 00:00
Para António Marques, de 41 anos, - que há dois meses se encontra detido num estabelecimento prisional para casos do foro psiquiátrico - esta poderá ser a única comparência em tribunal, caso seja decidido que deve ser internado ao abrigo do Acto de Saúde Mental.
De acordo com a Lei inglesa, o juiz pode decidir, com base no parecer de dois médicos que atestem doença mental do arguido, internar António Marques por tempo indeterminado. Caso não exista esse parecer, é provável que, hoje, o emigrante português se declare inocente da acusação de homicídio, aceitando, contudo, a culpa por homicídio involuntário. Existe ainda uma terceira acusação, de ataque com intenção a uma cidadã brasileira - única testemunha dos acontecimentos de 3 de Janeiro.
CRIME BRUTAL
Na altura, a polícia e a imprensa local não hesitaram em classificar como “brutal” o crime ocorrido na rua Dunster, Bairro de Knowle West, Bristol - uma cidade do Sudoeste de Inglaterra pouco habituada a este tipo de casos. “
O relógio marcava 05h30 quando estalou uma violenta discussão na casa onde residiam António Marques, Rui Garrido, Mário Pereira e a sua companheira, uma cidadã brasileira que, desde então, está sob protecção policial em local incerto.
Por motivos que continuam por explicar, António Marques terá usado um facalhão de cortar carne para assassinar os dois compatriotas, ambos seus colegas de trabalho num matadouro da região. A cidadã brasileira, única testemunha do crime, foi tambem ferida a golpes de faca.
Rui Garrido, português nascido em Moçambique há 35 anos, uma das vítimas mortais, estava em Inglaterra há menos de um ano e planeava regressar a Portugal em Março para umas curtas férias em Torres Vedras, como revelou o seu pai, João Garrido.
Mário Pereira, o outro cidadão português assassinado, era natural de Belas, Sintra, onde ainda tem família. Trabalhou como serralheiro mecânico em Portugal e esteve alguns anos no Brasil antes de rumar a Inglaterra, onde vivia com a companheira.
Para António Marques, a primeira sessão do julgamento, que chegou a estar marcada para Maio, será o regresso ao tribunal onde já esteve duas vezes, limitando-se a referir o seu nome e idade, sempre com a ajuda de um tradutor.
A CADEIA
No estabelecimento prisional de Broadmoor, no condado de Berkshire, vizinho de Bristol, reservado para casos do foro psiquiátrico, estão alguns dos ciminosos mais famosos de Inglaterra. O português António Marques encontra-se detido na cadeia há cerca de dois meses.
A AMIZADE
António Marques chegou a Bristol ao mesmo tempo que Rui Garrido. Alojaram-se na casa onde Mário Pereira vivia com a companheira. Além de colegas de trabalho, num matadouro a cerca de 20 quilómteros de Bristol, os três homens partilhavam a casa e eram também amigos.
A PENA
Se for julgado e considerado culpado, António Marques, de 41 anos, arrisca-se a passar o próximo quarto de século atrás das grades. À semelhança de Portugal, a pena máxima aplicada em Inglaterra é de 25 anos. Para a Polícia, é provável que seja esse o pedido da acusação.
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