O homem que se encontra preso em Bristol acusado de matar, com um facalhão de cortar carne, dois portugueses, naquela cidade do Sudoeste de Inglaterra, é também português, assegurou ao CM fonte da Polícia britânica. O indivíduo confessou o duplo homicídio e vai ser presente a tribunal na próxima quarta-feira, arriscando uma condenação à pena máxima, de 25 anos.
O Governo português continuava ontem, no entanto, a optar por dizer que “tudo indica” que o ‘Carniceiro de Bristol’, funcionário de um matadouro, tem nacionalidade portuguesa, mas que ainda “não há confirmação oficial”, uma vez que ele possuía um passaporte emitido pelos serviços diplomáticos lusos em Porto Alegre, Brasil, em 19 de Maio de 1999, caducado em 31 de Maio último, cuja autenticidade está a ser verificada.
“O vice-cônsul português em Londres está a aguardar toda a questão processual de Porto Alegre para dissipar as dúvidas”, indicou ao CM um responsável da Secretaria de Estado das Comunidades.
O passaporte do ‘Carniceiro de Bristol’, 41 anos, aponta a identidade de um homem nascido em 6 de Outubro de 1961, em Lisboa, na freguesia de S. Sebastião da Pedreira, onde fica a Maternidade Alfredo da Costa.
Como temos vindo a noticiar, os crimes ocorreram cerca das 05h30 da passada sexta-feira, dia 3, e além do duplo homicídio, incluiu ferimentos, também à facada, de uma brasileira, companheira de um dos assassinados.
“Resultou tudo de uma discussão de momento. Sabemos quais foram os motivos mas não os revelamos porque o suspeito ainda não foi a tribunal”, indicou-nos Paul Gainy, porta-voz da Polícia de Avon e Somerset, a região a que pertence Bristol.
A carnificina teve palco numa residência situada na Dunster Road, rua do bairro de Knowle West, e que era habitada pelos quatro envolvidos neste caso de extrema violência.
O homicida matou os dois compatriotas de quem era colega de trabalho num matadouro instalado em West Erleigh, a cerca de 20 quilómetros de Bristol. Segundo o porta-voz da Polícia, A.M. atacou os colegas com um facalhão de cortar carne.
As vítimas, Rui Garrido, 35 anos, e Mário Pereira, 47, “golpeadas seriamente”, tiveram morte quase imediata, enquanto a brasileira, companheira do segundo português, sofreu ferimentos que não oferecem preocupação e está actualmente sob protecção policial em local incerto.
Cometidos os crimes, o homicida ficou a aguardar a chegada das autoridades em casa e entregou-se sem oferecer resistência, enquanto os dois compatriotas foram recolhidos, já cadáveres, com golpes profundos.
O criminoso será presente ao Tribunal Real de Bristol quarta-feira e voltará à cadeia de Horsield, naquela cidade, para aguardar o julgamento em prisão preventiva. Quarta-feira é também o dia a partir do qual os corpos poderão ser trasladados para Portugal, intenção já formalizada pela família de Mário Pereira .
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