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Correio da Manhã

Portugal
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Carolina Salgado em xeque

Um escritório privado de Pinto da Costa, assim como o do advogado Lourenço Pinto, ambos no centro do Porto, foram alvo de fogo suspeito entre as três e as quatro da madrugada de ontem e ambos sugerem que pode haver responsabilidade de Carolina Salgado, ex-companheira do presidente do FC Porto.
15 de Junho de 2006 às 00:00
 Pinto da Costa, ontem, à saída da sede da PJ, onde apresentou queixa por fogo posto de escritório
Pinto da Costa, ontem, à saída da sede da PJ, onde apresentou queixa por fogo posto de escritório FOTO: António Rilo
Nos dois casos, o fogo declarou-se à porta dos escritórios – o de Pinto da Costa é num primeiro andar da Rua do Paraíso e o do advogado num 3.º andar da Rua de Ceuta. Os prejuízos são pequenos – na prática implicam a substituição das portas.
Pinto da Costa e Lourenço Pinto – que o defende em vários casos, nomeadamente relacionados com Carolina Salgado – deslocaram-se ontem à tarde à PJ, tendo sido ouvidos pela brigada que investiga casos de fogo posto. Ao fim de três horas, à saída da PJ, Lourenço Pinto não hesitou em apontar a “coincidência” do fogo nos dois locais onde há documentos que apresentará em Tribunal. “Isto poucas horas após eu ter contactado o advogado que defende D. Carolina dizendo-lhe que tinha documentos para uma acção contra ela.”
Pinto da Costa afirma que só era do conhecimento de “quatro homens da minha confiança, além de Carolina Salgado” referido escritório: os dirigentes portistas Reinaldo Teles, Joaquim Pinheiro e Alípio Jorge e o motorista Afonso.
Em causa, na acção que Lourenço Pinto vai intentar contra Carolina, está um cheque de 30 300 euros, de que Pinto da Costa disse ter sido espoliado por Carolina Salgado, e ainda um empréstimo, segundo Lourenço Pinto.
“Os Sapadores Bombeiros disseram-nos que foi lançado um líquido muito propagante e apenas a falta de oxigénio impediu um fogo que poderia destruir documentos e objectos e lançar chamas para a vizinhança”, disse Pinto da Costa, que foi avisado pelo ex-dirigente do clube, Óscar Cruz, que tem o escritório no andar de cima do mesmo prédio.
EX-COMPANHEIRA DESCONHECIA INCÊNDIO
Carolina Salgado afirmou desconhecer qualquer caso de fogo posto no escritório de Jorge Nuno Pinto da Costa e julgava que até já tinha sido vendido pelo presidente do FC do Porto a Óscar Cruz, ex-dirigente do clube dos ‘dragões’.
“Estou a saber agora da notícia pelo vosso jornal e nem sequer faço ideia daquilo que se passou”, afirmou ontem à tarde ao CM Carolina Salgado, instada a comentar as insinuações de Pinto da Costa e Lourenço Pinto.
O escritório servia, disse Pinto da Costa, como local de guarda do seu “espólio pessoal de vinte anos como presidente do FC Porto”, com cerca de duas mil peças variadas.
A antiga companheira de Pinto da Costa mora na vivenda da Madalena, em Gaia, registada em nome da Imobiliária de Cedofeita (IC), propriedade de Pinto da Costa e que tem sede nesse escritório. Era também através da IC que Carolina recebia um ordenado mensal enquanto viveu com PC, até Março passado. A separação tem tido vários episódios rocambolescos.
FAÚLHAS
ELA DEVE IR À PJ
Pinto da Costa e Lourenço Pinto foram as únicas testemunhas que a PJ ouviu ontem relacionadas com este estranho caso. Mas admite-se que em breve seja ouvida Carolina Salgado, a crer nas insinuações lançadas ontem. Mas a queixa ainda está formulada, para já, contra incertos.
INVESTIGAÇÃO
A brigada da PJ que investiga o fogo posto nos escritórios já fez uma peritagem, para além do ter também o relatório feito pelos Sapadores. A 7.ª Esquadra da PSP do Porto, na Rua do Paraíso, registou a ocorrência, para o Ministério Público (MP) abrir inquérito.
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