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Carris vai recorrer a segurança privada para travar passageiros sem bilhetes

Carris terá perdido 15,16% de receitas com viagens que não foram pagas. Empresa quer reverter a situação.

16 de março de 2018 às 10:17

Os passageiros da Carris que não tiverem o título de transporte válido terão de prestar contas a seguranças privados, par além dos fiscais da empresa. 

Os actuais 37 fiscais do serviço de transportes gerido pela Câmara Municipal de Lisboa desde Fevereiro do ano passado vão continuar a exercer as suas funções, mas maior parte da fiscalização vai começar a ser feita pela empresa de segurança 2045 que chegou a ser gerida pelo "super-espião" Jorge Silva Carvalho (ex-director-geral do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa) e que apresente clientes como a EDP, ANA, Instituto de Segurança Social, Federação Portuguesa de Futebol, Sporting ou a Casa Pia.

"A Carris tem nas suas medidas prioritárias o combate à fraude, em resultado da falta de equidade que existe entre os utilizadores que possuem título de transporte válido e aqueles que usam abusivamente o transporte sem pagar", assegurou a empresa pública ao Diário de Notícias.  

Em 2017 a Carris transportou 122,4 milhões pessoas com título válido, revertendo a tendência de perder clientes entre 2010 e 2016 (ao todo, foram 40 milhões de passageiros que a empresa perdei nesse período). Mas se os clientes com títulos válidos aumentaram, também se passaram mais multas: de 15.539 em 2016 para 16.595 em 2017.

Mas a Carris reconhece que este valor não corresponde à dimensão real do problema das fraudes nos transportes, já que muitos passageiros utilizam os veículos sem título válido e não são detectados. Segundo um estudo pedido pelo governo à Autoridade Metropolitana de Lisboa, todos os anos há mais de cem mil pessoas que viajam sem pagar bilhete. No total, Carris, CP e Metropolitano estariam a perder 8,5 milhões de euros de receitas por causa da fraude. E a taxa mais elevada será a da Carris, que segundo o mesmo estudo perde 15,16% de receitas com esta situação.

"A Carris tem actualmente nos seus quadros 37 fiscais. No plano interno, não existem recursos humanos que possam fazer face à necessidade de serviço. A prestação de serviços de segurança para fiscalização de títulos de transporte foi objecto de concurso público. Depois de analisadas as propostas para a contratualização deste serviço, a empresa 2045 SA foi a vencedora", explicou a empresa de transportes, adiantando ao DN que o contrato tem um prazo de seis meses, depois será feita a avaliação dos resultados.

A 1 de Fevereiro de 2017, a gestão da Carris passou para a alçada da Câmara de Lisboa, numa decisão do primeiro-ministro, António Costa, que considera que os transportes terrestres devem ser geridos pelos municípios. Na altura, o presidente da CML, Fernando Medina, comprometeu-se com investimentos a realizar nos três anos seguintes, nomeadamente a aquisição de 250 novos autocarros para a cidade, a contratação de 220 motoristas e a criação de 21 novas linhas.

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