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Correio da Manhã

Portugal
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CARRO ASSALTADO À PORTA DE MINISTRO

O carro de Ângela Loureiro foi assaltado anteontem à noite, à porta do seu escritório, no Areeiro, em Lisboa. O maior valor que levaram do interior da viatura foi um rádio. Ainda assim a jurista, de profissão, está revoltada. É que o seu carro estava estacionado mesmo à frente da casa do ministro dos Assuntos Parlamentares, Rui Gomes da Silva, onde está um polícia 24 horas por dia.
4 de Setembro de 2004 às 00:00
O pai de Ângela Loureiro, ali residente, ouviu o alarme de um carro a tocar pelas 23h30. Mas, sem lhe passar pela cabeça que pudesse ser o carro da filha, não foi ver o que se passava. “Às vezes é normal tocarem alarmes”, explicou a jurista ao CM. Só na manhã de ontem é que a dona do carro se deparou com os estragos. “Partiram o vidro de trás e, não sei como, vieram para o banco da frente onde me reviraram isto tudo”, contou.
Depois levaram o rádio, moedas e chaves de apartamentos que o seu pai vende. Na viatura, de marca Mercedes, ficaram as chaves de outras duas viaturas de igual marca, a cadeira de bebé e os documentos do carro. Tudo, segundo Ângela Loureiro, à frente do polícia que estava de turno à porta do ministro dos Assuntos Parlamentares – e cujo local não identificamos, a pedido da polícia e do próprio gabinete ministro, por questões de segurança.
“À noite, quase não há carros aqui estacionados e o alarme tocou. O meu pai, que mora no nono andar, ouviu. E o polícia nem reforços pediu”, acusou Ângela Loureiro.
O que também a revoltou foram os dois agentes da PSP que tomaram conta da ocorrência. “Disseram-me que só tiravam impressões digitais depois de ordens da equipa de investigação. Ainda por cima tinham de levar a viatura e desconheciam o dia em que voltariam a entregá-la”, disse a jurista, que acabou por desistir das provas porque precisa do carro.
ACTUAR COM "BOM SENSO"
A um elemento da Divisão de Segurança a Instalações (DSI) da PSP que se depare com um crime no desempenho das suas funções pede-se que actue com “bom senso”. Quem o afirma é o comissário Dário Prates, comandante interino da DSI. “Sem poder abandonar o posto fixo, o agente deve avaliar a gravidade do crime e a possibilidade de identificar o prevaricador. Se o puder fazer, deve manter o posto fixo de vigilância sempre em vista”, referiu o oficial. No entanto, em qualquer das situações, “o agente tem sempre a obrigação de alertar o carro-patrulha”, concluiu o comissário Dário Prates.
AGENTE OUVIU OUTRO ALRAME
Fonte policial confirmou ao CM que na noite de ontem uma viatura, de marca Mercedes, foi assaltada no Areeiro, Lisboa, através do vidro da porta traseira do lado esquerdo. Quanto ao alarme que o pai de Ângela Loureiro ouviu, entre as 23h30 e as 00h00 de anteontem, a mesma fonte esclareceu que o agente que estava no local também ouviu. No entanto, o alarme que tocou não era, segundo o agente da PSP, de um Mercedes, mas sim de um jipe. “O agente dirigiu-se ao veículo onde disparou o alarme, mas não viu nada de anormal”, explicou.
Agora “há que apurar a hora a que realmente ocorreu o assalto, até porque os agentes que ali estão fazem turnos”, acrescentou. Nunca é de mais relembrar os passos a dar quando uma viatura é assaltada. Quando tal acontece o lesado deve dirgir-se à esquadra local e formalizar uma denúncia, neste caso contra desconhecidos. Depois, é da competência das autoridades decidir se é feita uma inspecção fotoscópica ou não.
Quando se decide fazer um levantamento das impressões digistais, como explicou a mesma fonte ao nosso jornal, o carro é levado para intalações próprias. “Mas nunca demora mais que um dia”, garantiu. Segundo o relatório de Segurança Interna, no ano passado só no distrito de Lisboa registaram-se 18 573 furtos a veículos.
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