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Correio da Manhã

Portugal
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CARROS OCUPADOS PASSAM PRIMEIRO

A criação, nas vias de acesso às grandes cidades, de faixas privilegiadas para automóveis em que circulem duas ou mais pessoas está a ser ponderada pelo Ministério do Ambiente e pelo dos Transportes, afirmou ontem o ministro do Ambiente, Isaltino Morais, quando apresentava, em conferência de Imprensa, o balanço do Dia Europeu Sem Carros.
23 de Setembro de 2002 às 23:12
O assunto veio a propósito da intenção ministerial de avaliar as autarquias quanto à implementação de medidas permanentes para afastar os automóveis das cidades. “Veremos quais são os municípios com boas práticas em matéria de ambiente”, disse Isaltino Morais, adiantando estar o Ministério que dirige a discutir, neste momento, com o de Valente de Oliveira a possibilidade de criar faixas para transportes públicos e veículos ligeiros nos quais circulem, além do condutor, um ou mais passageiros, à semelhança do que acontece, por exemplo, nos Estados Unidos.

Isaltino Morais disse contudo não poder responder ainda à pergunta “quando, senhor ministro?” Mostrou-se, por outro lado, pouco entusiasta das portagens diferenciadas, de valor superior quando num automóvel circula o condutor, pois, “mesmo em termos tecnológicos, é difícil implementar uma solução desse tipo”.

Parece-lhe mais fácil a faixa privilegiada. “O controlo ocular é perfeitamente possível. Sim, pode haver ‘espertos’ que circulem nela indevidamente, mas à medida que forem sancionados, começarão a aprender”, acredita Isaltino Morais, considerando que tal incentivo à partilha do carro pode reduzir o número dos que entram nas cidades.

Bicicletas favorecidas

“Mais câmaras. Mais medidas. Mais participação”. Isaltino Morais referia-se à forma como decorreu, em Portugal, o Dia Europeu Sem Carros, no domingo, considerando “não ter significado especial o facto de a câmara A ou a B não ter participado”, nem as “críticas de uma ou outra personalidade”, aludindo à Câmara Municipal de Lisboa e aos comentários, desmerecedores da iniciativa, do edil Santana Lopes.

Aderiram à campanha 63 autarquias, já que Lisboa e Cascais não chegaram a assinar a carta de compromisso, ou seja mais onze do que no ano passado. Vinte associaram-se também à Semana da Mobilidade, num conjunto de 325 cidades/vilas em toda a União Europeia.

As bicicletas mereceram este ano favores especiais no que toca a medidas permanentes: dez autarquias criaram infra-estruturas de estacionamento e outras tantas construíram ou ampliaram ciclovias. Logo a seguir, adoptada em nove municípios, a decisão mais frequente foi a de condicionar o tráfego em arruamentos do centro urbano. Também nove autarquias criaram ou ampliaram zonas pedonais.

Menos populares foram a instalação de parquímetros, em dois municípios, e a implementação de transportes públicos ecológicos, em três, entre os quais no Porto, onde a empresa STCP tem em circulação 125 veículos a biocombustível. Até final do ano haverá mais 70.

Monóxido de carbono cai entre 5 e 40%

A redução das concentrações de monóxido de carbono, num dia e numa zona interdita ao trânsito, varia entre 5 e 40 por cento em relação a um dia ‘normal’. O decréscimo de dióxido de azoto – também associado à queima de combustível – ascende a 60 por cento.

Assim permitem concluir as medições, ainda não sistematizadas em definitivo, realizadas no domingo, Dia Europeu Sem Carros, em vários pontos do País, nomeadamente em Torres Vedras, Setúbal, Maia, Viseu, Beja e Porto. Na Maia verificou-se a maior redução de monóxido de carbono – 40 por cento, seguindo-se o Porto e Viseu, ambas as cidades com menos 35 por cento. Mais modesta foi a redução em Setúbal – só 10 por cento.
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