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Correio da Manhã

Portugal
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CARTEIRISTAS VÃO AO HOSPITAL

Os furtos ocorridos nas instalações do Hospital Distrital de Vila Real são motivo de preocupação. Ninguém parece estar imune às investidas dos ‘amigos do alheio’: médicos, utentes, enfermeiros e pessoal auxiliar têm visto as suas carteiras desaparecer, para aparecerem algum tempo depois num qualquer outro piso, despojadas dos valores. A PSP recebeu, em alguns meses, 25 queixas, admitindo-se, no entanto, que alguns casos não tenham sido comunicados às autoridades.
20 de Outubro de 2002 às 00:02
José Guedes, 75 anos, natural de Vila Nova, Vila Real, foi internado no piso 5, na Unidade de Urologia, onde guardou a sua roupa no armário da enfermaria e conferiu que tinha 40 euros, em notas, na sua carteira. No dia seguinte, quando teve necessidade de dinheiro e abriu o armário “já a carteira não estava no bolso das calças”.

“Telefonei, de imediato, ao banco para cancelar qualquer movimento feito com o cartão Multibanco e tive a sorte de eles ainda não terem tentado, porque o código estava ao lado do cartão”, explicou. A carteira apareceu, dias depois, no piso 4, no interior do autoclismo de uma casa de banho, com toda a documentação molhada.

"Não usaram porque não tiveram tempo, ou porque pensaram que eu iria ficar aqui vários dias, como efectivamente está a acontecer. Agora, por aquilo que me disseram depois de me ter acontecido, isto é ‘moeda corrente’”.

Durante a semana passada aconteceram, pelo menos, mais dois furtos confirmados com queixa na PSP de Vila Real, entre os quais sobressai o desaparecimento da carteira da directora médica, no momento em que esta profissional de saúde anestesiava um paciente. "O clima é de alguma apreensão no hospital. Não se pode deixar nada descuidado que se corre o risco de já só lhe vermos o sítio", afirmou um profissional de saúde que pediu anonimato.

A Administração do Centro Hospitalar de Vila Real, demissionária e à espera de ser substituída, considera “não ser este o momento adequado para tomar posições”, mas o CM soube que foi o próprio director que contactou a PSP aquando dos últimos furtos. A Administração Regional de Saúde do Norte não se mostrou disponível para comentar a situação.

OCORRÊNCIAS

INSEGURANÇA

No Verão do ano passado, dezenas de furtos foram praticados nas instalações da unidade de saúde, provocando um clima de insegurança. Tudo servia para os carteiristas: casacos, carteiras, porta-moedas e o que tivesse valor monetário. Nada podia ser deixado ao acaso.

CASACO A ‘VOAR’

No início do corrente ano ocoreram de ‘rajada’ três furtos numa zona restrita a médicos de consultas de Clínica Geral. Um médico contou que se esqueceu do casaco no gabinete e quando regressou de casa para o recuperar já não o viu".

FACILIDADE

A investigação das queixas está entregue às Brigadas Anti-Crime da PSP de Vila Real, que lamentam a facilidade com que se entra no estabelecimento de saúde: "Naquele hospital entra e sai quem quer, a qualquer hora do dia, sem qualquer tipo de controlo". Os agentes sabem já que alguns levantamentos foram feitos em Espanha, ao mesmo tempo que foram usados cheques furtados em Amarante.
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