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Correio da Manhã

Portugal
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Casal maltrata e agride operário

"Disseram que iam levar-me de volta para casa, mas de repente, sem saber porquê, começaram a bater-me e atiraram-me da carrinha para o chão. Foram embora e deixaram-me sozinho no mato". É ainda confuso que José Joaquim Mendes, de 53 anos, recorda a violência com que foi agredido, terça-feira à noite, por um casal que há dois anos o tinha levado para Valladolid, em Espanha, para trabalhar na construção civil. Durante esse tempo diz ter sido escravizado.
19 de Março de 2010 às 00:30
Vítima diz ter sido espancada pelo casal que o escravizou em Espanha e para quem trabalhou nas obras
Vítima diz ter sido espancada pelo casal que o escravizou em Espanha e para quem trabalhou nas obras FOTO: direitos reservados

José, natural de Leça do Balio, em Matosinhos, foi abandonado na Serra da Nogueira, em Bragança. Apesar dos ferimentos, teve forças para caminhar toda a noite até pedir ajuda a um automobilista, na estrada que liga Alimonde e Formil. O operário foi levado para o Hospital de Bragança, onde foi operado. Os repetidos murros e pontapés de que foi alvo romperam-lhe o baço e teve uma hemorragia interna grave. Está livre de perigo, mas continua internado.

O núcleo de Vila Real da Polícia Judiciária está a investigar, até por haver fortes indícios de sequestro. Mas José pouco sabe sobre o casal de agressores. Apenas diz que os patrões são portugueses e que quando chegou a Espanha lhe tiraram os documentos.

"Nunca chegaram a pagar-me nada. Trabalhava horas a fio, era maltratado e a comida também não era grande coisa", contou ao CM. "Não sei por que me bateram; eles tratavam-me mal, mas nunca como agora. Se calhar foi porque disse que se não me pagassem fugia ou porque tiveram medo que eu contasse à polícia espanhola", comentou o homem que tem residência em Bragança há oito anos.

Os bombeiros que socorreram José encontraram-no muito desnorteado e com dores no abdómen

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