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Correio da Manhã

Portugal
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Casal universitário trucidado por Alfa

O maquinista do Alfa Pendular, que às 23h30 de anteontem se preparava para entrar na estação de Aveiro, apercebeu-se da presença de duas pessoas na linha, perto da antiga passagem de nível do Pingo Doce. Apitou de forma contínua e ainda deitou freio a fundo para evitar a colisão, mas apenas conseguiu imobilizar a composição cerca de 30 metros mais à frente.
30 de Março de 2007 às 00:00
Jovens foram colhidos quando caminhavam pela linha perto de uma passagem de nível desactivada
Jovens foram colhidos quando caminhavam pela linha perto de uma passagem de nível desactivada FOTO: Carla Pacheco
O casal de jovens, de nacionalidade russa, que por motivos ainda desconhecidos caminhava no meio da linha de costas para o comboio, foi colhido mortalmente. Dimitry Bannikov, 27 anos, e Tatiana Kulikova, de 24 anos, eram ambos bolseiros de Investigação Científica no Departamento de Engenharia Cerâmica e Vidro da Universidade de Aveiro.
Tatiana estava em Aveiro há menos de um mês e Dimitry desde meados de Dezembro. Eram ambos naturais da mesma cidade, Ekaterinburg, mas conheceram-se apenas em Aveiro.
Os bolseiros, que se candidatam a nível internacional para estadias de seis meses, estavam, ao que o CM apurou junto de fonte da Universidade, no mesmo Departamento embora em projectos autónomos.
Ainda segundo a mesma fonte, que desconhece mais informações sobre a jovem bolseira, Dimitry encontrava-se registado e alojado numa residência universitária, não muito longe do local em que foi colhido.
De acordo com os bombeiros, que durante três horas e meia removeram os restos mortais do casal, “o maquinista estava quase em choque e só repetia que se tinha fartado de apitar e que eles não saiam da linha”.
Moradores junto à antiga passagem de nível garantiram também ao CM que ouviram a buzina instantes antes do embate. A zona é considera pelos habitantes locais como perigosa e com más condições de atravessamento, o que já causou outros acidentes e sustos constantes.
ATRAVESSAM PELOS CARRIS
A antiga passagem de nível do Pingo Doce, na Linha do Norte, a cerca de um quilómetro da Estação de Aveiro, é diariamente atravessada por milhares de pessoas, que muitas vezes optam por passar directamente sobre os carris em vez de usarem a passagem superior. Segundo a moradora Adelaide Peixinho, isto acontece porque “são mais de 150 degraus, muito difíceis para idosos e pessoas com carrinhos de bebé”. “Os elevadores só funcionaram um ano, depois disso estão sempre avariados”, conclui. A autarquia de Aveiro diz que a falta dos elevadores se deve “a constantes actos de vandalismo, que não permitem o seu funcionamento por mais do que uma semana”, pelo que equaciona alterar a forma de atravessamento da linha.
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