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Correio da Manhã

Portugal
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CASAMENTEIRO DEU AJUDINHA

Cada um introduziu uma moeda e duas chamas eléctricas acenderam-se - lado a lado - sob o quadro que representa Santo António, na igreja com o nome dele, em Lisboa. Dario Gradiz, de 21 anos, pensou que era um bom prenúncio, pois as pequenas luzes fizeram-lhe lembrar dois noivos junto ao altar.
12 de Maio de 2003 às 00:00
Coincidência ou não, pouco tempo depois, ele e a Mafalda souberam ter sido um dos dezasseis casais seleccionados para os “Casamentos de Santo António”.
Dario ficou tão entusiasmado quando leu no jornal os nomes dos casais escolhidos que se ia esquecendo de pagá-lo. “O homem do quiosque é que me alertou: ‘Ó amigo, olhe que você não pagou o jornal. Foi uma vergonha...”
O contentamento de Dario e Mafalda, de 19 anos, - um dos casais mais jovens da iniciativa - justifica-se: “De outro modo não poderíamos casar-nos. Os gastos são muito elevados e precisamos do dinheiro para a ‘entrada’ de uma casa.”
Por outro lado, os dois namoram “vai fazer, na noite de 1 para 2 de Outubro, quatro anos” e pensam ser altura de “formalizar a relação”, na origem da qual esteve uma amiga comum: a Rosa. A ‘culpa’ foi dela.
Foi a Rosa quem chamou o Dario, para que viesse ao café onde combinara um encontro com a Mafalda. “Eu tinha acabado de chegar de férias. Passei no café e engracei logo com ela”, lembra o Dario, empregado de mesa de 1ª, que ainda foi “a casa tomar banho e fazer a barba” antes de reencontrar as duas amigas numa discoteca das Docas. Lá, quando a Rosa e os amigos foram dançar, ele e a Mafalda - estudante, a frequentar o 6.º ano - ficaram a conversar, à mesa.
Se o Dario já tinha engraçado com a Mafalda, ela só então começou a engraçar com ele. “Por causa da maneira de estar. Não se portou como a maioria dos homens quando conhece uma mulher, quer dizer, não se armou em bom”, explica ela. Conta ele a seguir que naquela noite “falámos da minha vida e da vida dela, perguntei-lhe porque é que ela não tinha estudado e fiquei a saber que fora porque, quando era pequena, andava sempre em viagem com o pai”.
Lembram-se os dois de que era terça-feira, a noite do espectáculo de “streap” masculino na discoteca Queen’s. “Não quer dizer que eu goste de ‘streap’ de homens”, esclarece, brincalhão, o Dario. Também, ele já só tinha olhos para os olhos verdes da Mafalda. Começaram a namorar naquela noite, mas não terá sido logo ali que descobriram ter em comum a ambição de ser polícia. Ao que parece Santo António vai abençoar um ‘casalinho’ de futuros polícias. “E porque não?”, pergunta o noivo, contando que o falecido pai era agente da PSP. “Eu gosto de fardas”, diz. Também Mafalda não desgosta delas e pondera seriamente a possibilidade de seguir a mesma carreira, após ter concluído o 12.º ano, requisito de ingresso nas fileiras da PSP.
PERFIS
ELA
Nome: Mafalda Bito Bastos
Idade: 19 anos
Naturalidade: S. Sebastião da Pedreira, Lisboa
Residência: Santa Maria dos Olivais
Profissão: Estudante
ELE
Nome: Dario Calisto Dias Gradiz
Idade: 21 anos
Naturalidade: S. Sebastião da Pedreira, Lisboa
Residência: Santo Estêvão
Profissão: Empregado de mesa de 1.ª
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