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Correio da Manhã

Portugal
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CASAS DE ALTERNE PROCESSAM TIME

Duas casas de diversão nocturna de Bragança vão processar a revista “Time” na sequência da reportagem sobre a prostituição de brasileiras na cidade transmontana.
27 de Outubro de 2003 às 00:00
João Vitorino, advogado de duas casas de diversão, já avançou com a queixa-crime por difamação, alegando danos patrimoniais e de imagem.
Os empresários da noite dizem que Bragança tem menos prostitutas do que qualquer clube do mesmo género nas grandes cidades e sentem-se indignados com o destaque dado pela revista.
“Na América, nos anos 30, seis mulheres levaram à instauração da lei seca. Aqui, em Bragança, quatro mulheres – ‘Mães de Bragança’ – provocaram este caos a que estamos a assistir. A ‘Time’ não pode pensar que estamos na América; aqui é Trás-os-Montes”.
A reportagem da “Time” descrevia Bragança como o novo bairro europeu da prostituição e relatava a mudança que se operou na cidade com a chegada de trezentas prostitutas brasileiras.
Mas as ondas de choque não se ficaram por aqui. Após o manifesto das “Mães de Bragança” algumas estudantes africanas do Instituto Politécnico de Bragança foram insultadas na rua por mulheres e assediadas por homens, pois tinham sotaque e eram confundidas com prostitutas. As jovens, incomodadas com esta situação, apresentaram queixa na polícia.
CONVITE
Entretanto, o presidente da Câmara Municipal de Bragança, Jorge Nunes, escreveu uma carta ao director da revista ‘Time’, convidando-o a visitar a cidade. "Comprometi-me a acompanhá-lo para lhe mostrar que Bragança não é nada daquilo que o artigo da revista deu a entender. Ainda não recebi qualquer resposta mas estou esperançado que uma revista prestigiada como a ‘Time’ não vai deixar de responder ao repto que lhe lançámos".
Ao mesmo tempo que lançava o repto, o autarca desmentia a existência de qualquer queixa judicial por parte do executivo ou da Assembleia Municipal contra a revista, por considerar que "tal não fazia sentido e só servir os interesses de quem quer alimentar este tipo de polémicas na praça pública".
Por forma a acabar com este tipo de situações, o autarca defende a criação de mecanismos de controlo, com transparência e clareza no campo fiscal, sanitário e humano, através de um sistema em que todos os intervenientes estejam dentro da legalidade”.
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