Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
4

CASO DAS ROLHAS APERTA VALE E AZEVEDO

João Vale e Azevedo vai regressar em breve ao banco dos réus. O antigo presidente do Benfica, que actualmente cumpre uma pena de quatro anos e meio de prisão em virtude do "caso Ovchinikov, vai responder pela "prática, em autoria material, de um crime de burla agravada, na forma continuada", delito que está sujeito a um pena que pode ir de dois a oito anos de prisão.
17 de Outubro de 2003 às 00:00
O 31.º presidente do Benfica, preso por peculato e branqueamento, continua a braços com a justiça
O 31.º presidente do Benfica, preso por peculato e branqueamento, continua a braços com a justiça FOTO: Paulo Espadanal
Segundo o despacho instrutório do processo, recai sobre Vale e Azevedo a acusação de ter utilizado indevidamente e em favor próprio cerca de 180 mil contos pertencentes a dois empresários do ramo da indústria corticeira.
Estes empresários, Cesinando Guerreiro e José Manuel Rofino, donos das empresas Inter Champanhe, Fabricante de Rolhas de Champanhe, SA e General Cork, SA, terão entregue a Vale e Azevedo, no início de 1994, 180 mil contos para este adquerir, através de duas holdings criadas para o efeito, acções das próprias empresas dos assistentes.
Diz o Ministério Público que os empresários, através de Vale e Azevedo, "estavam a vender as acções que pessoalmente detinham a empresas holding, das quais eram os únicos beneficiários económicos", com o alegado intuito de beneficiar de reduções fiscais.
A questão é que Vale e Azevedo nunca terá utilizado a referida verba para os fins acordados. Os 180 mil contos terão entrado numa conta bancária da "Sojifa Investments, Ldt.", que era movimentada exclusivamente pelo agora arguido, e terão servido para este celebrar "vários negócios cujo único objectivo era o de fazer suas quantias que não lhe pertenciam", descartando-se "de qualquer responsabilidade pessoal no pagamento dessas mesmas quantias de que ilicitamente se apropriara", lê-se na acusação pública.
POUCA CREDIBILIDADE
Curioso neste processo é o facto de ter sido o próprio Vale e Azevedo a requerer a abertura de instrução, alegando que não se encontrava demonstrado que os empresários da cortiça fossem os titulares das verbas, nem que ele próprio tenha sido o beneficiário dos negócios efectuados com os 180 mil contos.
Ou seja: pelo facto de as transacções terem sido feitas em nome de pessoas colectivas, o advogado não se vê credor, nem os empresários alegadamente lesados estão na qualidade de desembolsados.
Uma versão que não ofereceu "credibilidade" ao juiz do TIC de Lisboa, que pronunciou Vale e Azevedo, a 18 de Julho, pelos factos constantes na acusação pública, "imputando- -lhe a prática, como autor material e na forma consumada, de um crime de burla agravada".
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)