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Correio da Manhã

Portugal
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Caso Rui Pedro: Morreu sem saber do neto que amava

Contratou detectives privados, viajou para vários países e gastou praticamente toda a fortuna. José Cândido Teixeira vivia para tentar encontrar o neto Rui Pedro, que desapareceu há treze anos de Lousada. O homem acabou por morrer em 2003 num acidente de tractor, sem conseguir cumprir a promessa que tinha feito à filha Filomena: trazer o menino para casa.
13 de Novembro de 2011 às 01:00
Filomena, mãe de Rui Pedro, sofreu muito com a morte do pai, que era quem lhe passava a força que a fazia acreditar
Filomena, mãe de Rui Pedro, sofreu muito com a morte do pai, que era quem lhe passava a força que a fazia acreditar FOTO: Miguel Pereira da Silva

"O meu sogro foi quem mais lutou pelo Pedro. Ele foi incansável. Gastou muitos milhares de contos na altura. Seguia todas as pistas. Foi à Holanda, à Bélgica... Ia para onde lhe dissessem que o neto estava. Infelizmente foi sempre enganado e morreu sem o encontrar", contou ao CM Manuel Mendonça, pai de Rui Pedro.

José Cândido Teixeira investigou quase sempre pelos seus meios. Foi ele que muitas vezes estabeleceu contactos com os burlões e bruxos que diziam saber onde a criança estava. "Chegou a estar uma noite inteira num descampado porque lhe disseram que iam lá entregar o Pedro. Amava-o tanto que não queria deixar escapar nenhuma pista. Embora a cabeça lhe dissesse que lhe estavam a mentir, a esperança que ele tinha no coração era maior do que tudo", contou João André, primo do menor.

A morte do pai foi um choque para Filomena. Era ele que lhe dava forças para acreditar. Desde então o estado de saúde da mãe de Rui Pedro foi-se tornando mais frágil. "Ela continua a rezar muito pelo pai e crê que um dia o desejo dele se vai concretizar", disse o marido Manuel. Deduzida a acusação, Filomena foi à campa do pai e disse-lhe que tinha razão: o raptor era Afonso.

IMPLOROU PARA BUSCAS SEGUIREM

O avô de Rui Pedro interveio nas buscas para procurar o menino desde o primeiro momento e, numa altura em que as autoridades ainda nem colocavam a hipótese de rapto, mas sim de fuga, José pediu que procurassem a criança. "As buscas só continuaram durante mais duas semanas porque o avô nos implorava para que encontrássemos o neto", explicou Rui Mota, ex-comandante dos Bombeiros de Lousada.

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