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Correio da Manhã

Portugal
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CASTELO DE PAIVA: É PRECISO ESPANTAR A CRISE

Mostrar o que de bom se faz em Castelo de Paiva, largamente conotado com o recente drama do desemprego, é o principal objectivo da Câmara, que organizou, em conjunto com a associação comercial e industrial local, a I Mostra de Actividades Económicas.
27 de Março de 2003 às 00:00
O Pavilhão Municipal dos Desportos vai acolher a partir de amanhã, e durante todo o fim-de-semana, cerca de três dezenas de expositores sediados ou com interesses no concelho e provenientes das mais diversas áreas de actividade.
A ideia de ‘espantar’ a crise em que o concelho se viu envolvido, por força da saída do principal empregador, a multinacional inglesa de calçado Clarks, é algo que motiva a Câmara de Castelo de Paiva, empenhada para que este certame corra bem, projectando a economia local e abrindo potenciais portas a novos investidores. "Não escondemos que o nosso grande objectivo é diversificar o mais possível, para não sofrermos outra adversidade", refere o autarca Paulo Teixeira.
A entrada para a mostra será livre e, como adianta a autarquia, "é uma oportunidade única para os paivenses e para os visitantes conhecerem as actividades económicas e o que de melhor se faz nos sectores da indústria, comércio, agricultura, serviços e turismo".
O futuro está reservado para novos caminhos em busca da diversificação industrial, na criação de micro-empresas e numa aposta clara na vertente turística, dadas as excepcionais qualidades da região ribeirinha.

VINHO VERDE É POTENCIALIDADE

Uma das principais potencialidades económicas de Castelo de Paiva é o seu vinho verde, nomeadamente o verde tinto, já premiado. A título de exemplo, refira-se que só a adega cooperativa local é o maior exportador de vinho verde para a América do Sul.
Para dar oportunidade aos produtores de mostrarem os seus produtos e ao público de provar as colheitas, a autarquia realiza, desde há seis anos, a Feira do Vinho Verde, que este ano decorre a 12 e 13 de Julho.
Várias tasquinhas espalhadas pelo Largo do Conde, o centro da vila, oferecem o generoso néctar, acompanhadas por pratos da gastronomia típica, como é o caso da vitela. A animação popular também marca lugar, bem como as exposições/venda de artesanato.

PENSAR PELA POSITIVA

Paulo Teixeira, presidente da Câmara Municipala de Castelo de Paiva, pretende que o seu concelho passe a ser visto como um bom ‘destino’ para os necessários investidores.

- Correio da Manhã - A organização desta mostra está relacionada com a necessidade de responder ao encerramento da Clarks?
Paulo Teixeira - Há que referir que quando começámos a tratar desta organização, em Outubro do ano passado, a C & J Clark efectuou a sua pré-inscrição no evento. No entanto, em face do que aconteceu, encaramos esta mostra de actividades como uma forma de contribuir para uma resposta positiva face à recente decisão da empresa inglesa.

- Para além desta iniciativa que outras medidas estão a ser tomadas para combater a crise?
- Temos em curso uma diversificação da actividade económica no concelho e todos os agentes são importantes para o futuro. Estamos a trabalhar com o Governo para encontrar uma série de alternativas viáveis para a maioria dos postos de trabalho perdidos e, também, a apostar fortemente num projecto turístico que vai juntar sete concelhos num projecto denominado ‘Serras de Turismo, Montes de Animação’.

- Apesar dos projectos, continua a haver empresas que estão a atravessar um período difícil, como é o caso da extracção de areias.
- Não nos podemos esquecer que estamos perante uma crise económica, que não passa despercebida em Castelo de Paiva. Enquanto que na Clarks estamos a falar de 600 postos de trabalho, no caso concreto da extracção de inertes o número de possíveis desempregados é de 56 no nosso concelho, num universo de 248 provenientes de Cinfães, Marco de Canaveses, Penafiel e Gondomar, entre outros.
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