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Correio da Manhã

Portugal
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Cemitério mete água

As exumações dos corpos no cemitério de Ermidas do Sado, em Santiago do Cacém, têm sido difíceis para os coveiros. As urnas são retiradas dos covais cheias de água e as ossadas aparecem cobertas de lama.
9 de Janeiro de 2008 às 00:00
Tudo porque o cemitério desta freguesia, situado junto à EN121, foi construído sob uma linha de água, tal como denunciou ao CM o presidente da Junta local, Alberto Brito.
“A nascente passa uma linha de água e a poente existe uma encosta por onde escoam as águas da chuva. O solo é barrento e não deixa passar as águas”, explicou o autarca, que tem vindo a alertar a Câmara de Santiago do Cacém para a falta de condições dos terrenos onde está o cemitério. Segundo Alberto Brito, quando há necessidade de abrir uma cova, a água infiltrada no subsolo surge à superfície, tapando o buraco em segundos.
“Os covais que são abertos ficam cheios de água e têm de ser drenados. Quando se faz a exumação de um corpo, a água brota à superfície do terreno”, lamenta Alberto Brito, que considera este cenário “triste para os familiares dos defuntos”.
O autarca diz ainda que as urnas só não ficam a boiar dentro dos talhões porque antes da exumação é retirada a água com uma bomba.
“A maioria dos talhões são duplos e quando é necessário proceder à exumação de um corpo a ossada está cheia de lama e há alturas em que é quase impossível tirar a urna”, acrescentou o coveiro, Joaquim Maria Gonçalves.
De acordo com este funcionário, basta abrir uma cova com 30 centímetros para fazer jorrar água da terra. “Até à hora do funeral dreno com o motor o máximo de água, mas já tenho tido o funeral à porta e eu a tentar tirar a água da cova para as famílias não perceberem”, contou Joaquim Maria que, nas cerimónias fúnebres, optou por substituir o “sapato fino” pelas “botas de borracha”.
O agente funerário de Ermidas, Manuel Guerreiro, lida com a situação todos os dias e garante que é “desconfortável e desagradável para os familiares” que não aceitam o protelar da situação. “Facilmente se metia ali uma máquina e em poucos dias resolvia-se a questão.”
O presidente da Junta defende a abertura de uma vala com mais de dois metros de profundidade a poente do cemitério. “Continuamos à espera da visita dos técnicos e do estudo da Câmara”, disse.
Contactado pelo CM, o vereador da Câmara Municipal de Santiago do Cacém com o pelouro dos cemitérios, mostrou-se surpreendido com a atitude da Junta de Freguesia. José Rosado recorda que a gestão do cemitério é da responsabilidade da Junta e que deve ser “a própria a encontrar uma solução e a solicitar o apoio da Câmara”.
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