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Correio da Manhã

Portugal
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CENTENAS DE FORMIGAS ATACAM IDOSA

Vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), Palmira Ribeiro, de 84 anos, encontra-se acamada há três anos. Não fala e mal se mexe, razão pela qual não teve reacção quando, ontem de madrugada, foi atacada por centenas de formigas, vindas do andar de baixo da sua casa, em Lisboa. Um andar devoluto, que no seu interior alberga gatos mortos, pulgas e ratazanas.
9 de Julho de 2004 às 00:00
Foi Maria de Lurdes que encontrou a mãe, com quem mora, no número 106 da Rua Carvalho Araújo, coberta e ferida pelas formigas “no nariz, na boca, por baixo dos braços, por todo o lado”, disse ao CM. Confrontada com a situação, Maria de Lurdes e a sua filha deram banho à idosa e trataram-na como puderam até à chegada de uma equipa do INEM.
Nervosa, Maria de Lurdes foi procurar a origem dos bichos. Foi quando constatou que vinham do rés-do--chão através do rodapé da sua casa.
Desabitada há já oito anos, quando os seus residentes faleceram, a entrada da casa denuncia a situação. Vasos de plantas escondem os buracos na madeira roída pelos ratos e, por baixo da porta, existem pedras que tentam conter o cheiro nauseabundo que vem do interior.
Os inquilinos exigiram que fosse feita uma desinfestação e obras de recuperação. A autarquia chegou a fazer duas vistorias, uma em 1995 e outra em 1997. Ambas apontaram para a necessidade de recuperar a construção. Só que “já lá vão sete anos e nada mudou”, concluiu Maria de Lurdes.
PRÉDIO COM DOIS DONOS
O n.º106 da Rua Carvalho Araújo, um prédio de três andares perto da Alameda, em Lisboa, era propriedade de dois irmãos. Em 1995 José Seabra morre e deixa a sua parte ao actual proprietário. Passados dois anos morre o irmão de José Seabra, que não deixa descendentes.
Em Novembro de 2002 o Tribunal de Cascais decreta que metade do edifício passa a ser propriedade do Estado e a outra, tal como ditava o testamento, passaria a ser de Diamantino dos Santos Miguéis.
Contactado pelo CM, o actual proprietário admitiu estar “à espera que o outro proprietário” – o Estado – o contacte para fazer obras no prédio. “Com um total de cerca de 125 euros de rendas não posso assumir sozinho as responsabilidades. Isto é só metade meu”, sublinhou.
Instada a comentar o caso, uma fonte da autarquia lisboeta disse que o prédio foi vistoriado no passado dia 22 Junho e que vai ser formulado um auto. “O proprietário vai ser intimado e terá de responder ao pedido da autarquia”. A actuação da Câmara dependerá das respostas do senhorio.
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