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Correio da Manhã

Portugal
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Centro de saúde abre em clima de polémica

Será, por assim dizer, uma quebra da normalidade dos últimos tempos, em Portugal, mas nem por isso totalmente pacífica. Em Amares, no distrito de Braga, abre hoje ao público um novo Centro de Saúde.
18 de Junho de 2007 às 00:00
Novo Centro de Saúde de Amares foi construído no local que há-de ser o centro cívico da vila
Novo Centro de Saúde de Amares foi construído no local que há-de ser o centro cívico da vila FOTO: Márcia Possacos
Para já, apenas o Serviço de Atendimento a Consultas Urgentes (SACU), e na próxima quarta-feira os restantes serviços.
Numa altura em que as notícias dão conta, quase todos os dias, de encerramentos de centros de saúde, serviços de urgência ou maternidades, a abertura ao público deste novo edifício, que substitui um outro – pertença da Santa Casa da Misericórdia local e sem quaisquer condições – é digna de registo.
O processo conta já cerca de década e meia e foi extremamente conturbado, com um sem-número de avanços e recuos, muitas vezes ditados pela coincidência (ou não) das cores políticas da autarquia e do Governo.
A construção começou há cerca de dez anos, mas conheceu diversas paragens, algumas superiores a um ano, sempre por problemas relacionados com o desbloqueamento de verbas.
O edifício custou cerca de dois milhões de euros e foi financiado pelo Ministério da Saúde e pela Câmara Municipal de Amares. Aliás, a autarquia era mesmo a dona da obra.
Tendo o empreiteiro dado o edifício por concluído na semana passada, a Administração Regional de Saúde do Norte e a Sub-região de Saúde de Braga decidiram marcar a sua abertura ao público para esta semana.
Nesse sentido, enviaram ao presidente da Câmara, José Barbosa, eleito pelo PS, um convite para estar presente numa visita às instalações.
O autarca não gostou de ver a autarquia “ultrapassada” nesta fase do processo e fez sabê-lo a Correia de Campos.
“Já disse ao senhor ministro da Saúde que não aceito estas atitudes, que considero de prepotência e falta de respeito. A Câmara, que serviu para parceira na altura de pagar, também devia sê-lo na altura de decidir a abertura à população”, disse o autarca, sublinhando que “o que importa é que a população saia a ganhar”.
DIFICULDADES
20 MIL UTENTES
O Centro de Saúde de Amares tem, nesta altura, 20 300 utentes, um universo considerado “muito pequeno” para o investimento em causa. Se a decisão fosse tomada hoje, o centro não seria construído.
CONCELHOS VIZINHOS
Para já, ainda nada está decidido, mas tudo indica que o novo Centro de Saúde de Amares vai servir as populações de Terras de Bouro, Póvoa de Lanhoso e Vieira do Minho.
PROTESTOS À VISTA
A decisão de transferir para Amares os utentes de outros concelhos pode desencadear uma série de protestos. Pelo menos em Vieira do Minho e Póvoa de Lanhoso a questão não é nada pacífica.
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