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Correio da Manhã

Portugal

CERCADOS POR MUROS DE TERRA

Uma família residente em Taboeira, Aveiro, vive há mais de quatro meses rodeada por muros de lama, alguns com mais de três metros, que ameaçam cair em cima da habitação a qualquer momento. As obras do novo estádio desenvolvem-se à volta da casa, indiferentes ao facto da família ainda não ter conseguido chegar a acordo com a Câmara Municipal para a expropriação do terreno.
10 de Abril de 2003 às 00:00
CERCADOS POR MUROS DE TERRA
CERCADOS POR MUROS DE TERRA FOTO: Carla Pacheco
Os proprietários, Serafim Santos e a esposa Maria Gentil, acordaram verbalmente com a EMA - Estádio Municipal de Aveiro, Empresa Municipal uma permuta de imóveis, mas até à data nenhum contrato foi assinado, apesar das negociações decorrerem há cerca de dois anos.
"Prometeram-nos que poderíamos mudar para outra casa a partir de Maio, mas quando fomos para assinar o contrato, há um mês, apresentaram-nos uma data de Janeiro de 2004. Queriam a propriedade livre sem nos garantirem nada em troca”, conta Serafim Santos,
O casal sente-se enganado e acusa a autarquia de tudo estar a fazer para os tirar de lá. "O que eles queriam era que nos fossemos embora para deitarem tudo abaixo. Ficávamos sem casa, continuávamos a pagar o empréstimo de 600 euros ao banco e seríamos obrigados a viver de esmolas em casa de familiares", lamenta-se Maria Gentil, assegurando que: "Se tivessem dado uma garantia teríamos saído, já que desde logo nos disponibilizámos para abandonar a nossa casa antes da outra estar desocupada", explica Serafim Santos.
Em Novembro último, o proprietário foi convocado para uma reunião com a EMA e, nessa altura, a empresa municipal reafirmou o que tinha dito antes, ou seja, que daria uma casa em troca. Ao longo de quatro meses, o casal, com dois filhos, teve tempo para empacotar todo o recheio da habitação e desfazer-se dos animais de criação, convencidos que se mudariam em breve.
Uma vez que nada avançava, “e que se descobriu que só havia intenção de disponibilizar a casa em 2004”, refere Serafim, a família tentou por todos os meios chegar a acordo com a EMA.
novas propostas
O proprietário optou então por apresentar ele mesmo três propostas à Câmara Municipal: receber 146 mil contos pelo terreno e pela casa; trocar a propriedade por uma casa, enquanto a autarquia assumia a dívida com o banco; ou, então, permutar o terreno que possuem por um outro com uma área semelhante, onde seria construída uma nova habitação.
O último contacto que a família recebeu por parte da EMA foi um telefonema, há cerca de uma semana, em que lhes foi dito: “Esqueçam tudo porque o caso segue as vias judiciais”. Para tentar evitar o arrastar da situação, Serafim Santos tentou nos últimos dois dias chegar à fala com o presidente da autarquia, mas até ao momento ainda não foi recebido.
O Correio da Manhã, procurou obter esclarecimentos do responsável pela empresa municipal, Miguel Lemos, mas este escusou-se a explicações, afirmando que "há uma sede própria para resolver estas questões, e que são os tribunais. Cabe ao juiz decidir quem tem razão".
Enquanto aguardam pelo desfecho deste caso, a família Santos vive em constante sobressalto, "com medo que a chuva ou o movimento intenso dos camiões faça com que os muros de terra nos caiam em cima”, afirmam.
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