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Correio da Manhã

Portugal

Cerco aos assassinos de Ireneu

O director nacional da Polícia de Segurança Pública, Branquinho Lobo, está confiante no êxito da operação lançada pela Judiciária e PSP com o objectivo de caçar os criminosos que, na madrugada da última quinta-feira, mataram com 22 tiros o agente Ireneu Dinis, no bairro da Cova da Moura, Amadora, nos arredores de Lisboa.
20 de Fevereiro de 2005 às 00:00
“As investigações vão em estado avançado”, disse Branquinho Lobo, ontem à tarde, durante o funeral de Ireneu Dinis, em Soeira, concelho de Vinhais, Trás-os-Montes. O director nacional da PSP deixou a ideia de que os investigadores do crime já têm sérios indícios sobre os autores do crime.
A morte do agente Ireneu “é uma situação trágica e, por isso, quis estar perto da família dele para os acompanhar na dor que todos sentimos”, disse Branquinho Lobo, visivelmente emocionado e cansado. Apelou a todos os agentes da PSP que entregaram as armas para acabarem com essa forma de protesto – “em memória do colega assassinado”.
O ministro da Administração Interna, Daniel Sanches, também acompanhou o funeral de Ireneu Dinis. Não quis adiantar nada sobre o andamento das investigações policiais em curso com o fim de encontrar os assassinos: “Pelo menos por enquanto, não posso adiantar nada”, disse o ministro. “Estamos todos revoltados e temos esperança que os criminosos sejam detidos e punidos”, acrescentou.
Daniel Sanches garantiu que está empenhado em encontrar “soluções”, através da “Segurança Social e da PSP”, para que a família do agente Ireneu “seja apoiada” financeiramente.
Entre os milhares de polícias presentes no funeral estava Vítor Novo – o agente da esquadra de Alfragide que Ireneu rendeu na madrugada do crime. Novo entrou na camarata da esquadra uns minutos antes da uma da manhã da última quinta-feira: “Ireneu estava deitado na cama a falar ao telemóvel”, recorda Vítor Novo. Levantou-se e iniciou o turno. Mal sabia ele que partia para a morte. “O que aconteceu com ele podia ter acontecido comigo ou com qualquer outro colega. A nossa vida é arriscada. Precisamos de condições para trabalhar”, diz Novo, emocionado.
PESAR
A pequena aldeia de Soeira não tem memória de um dia de tanta dor: milhares de polícias, fardados e à civil, de todos os pontos do País, acompanharam ontem o enterro do agente Ireneu Dinis, abatido a tiro na Cova da Moura. A mãe, a irmã e o irmão do polícia vítima do cruel homicídio eram sentida imagem do desespero.
A igreja foi pequena para tanta flor ao redor da urna. À hora do funeral, outros milhares de agentes, em esquadras de Norte a Sul, pararam o serviço e prestaram assim uma última homenagem ao camarada assassinado.
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