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Correio da Manhã

Portugal
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CERVEIRA CONTRA ESCULTURA OFERECIDA POR PEDÓFILO

O presidente da Câmara de Vila Nova de Cerveira admite retirar, do centro urbano da vila, a peça escultural que representa o símbolo do concelho e que foi oferecida ao município pelo alegado pedófilo alemão Ulrich Schulz, sobre o qual pende um mandado de captura internacional por suspeita de abusos sexuais a mais de uma centena de menores.
14 de Novembro de 2003 às 00:00
"Naturalmente, cria-nos bastante desconforto e incómodo saber que o maior ícone do concelho foi oferecido por uma pessoa acusada deste tipo de crimes", confessou ontem o autarca José Manuel Carpinteira, mostrando--se ainda confuso sobre qual a melhor resposta a esta situação, que "obviamente põe em causa a imagem de Cerveira", onde o alegado pedófilo possui uma quinta em que residiu até há cerca de 2 anos.
Carpinteira sublinhou que a oferta de Schulz - um instrumentista e produtor musical conhecido pelos pseudónimos 'Oliver Shanti' e 'Oliver Serano' - ocorreu em 1997, quando apenas se conhecia a sua faceta humanista e solidária, por força de diversas acções de caridade.
O alegado pedófilo chegou mesmo a ser agraciado, em 1994, com uma medalha de mérito municipal em reconhecimento das suas acções beneméritas com os carenciados e as instituições locais, sobretudo os Bombeiros Voluntários, que receberam cinco viaturas que "vão manter-se em plena actividade, sem qualquer problema de consciência".
"Os crimes de que ele é acusado são medonhos, mas nunca nos passou pela cabeça tal coisa e até quem conviveu com ele de perto ainda não acredita nas acusações, por isso, não me parece que seja correcto sermos acusados de alguma coisa má por termos aceite as ofertas", comentou um bombeiro local.
O presidente da Câmara reconheceu que, apesar das notícias sobre a alegada actividade pedófila de 'Oliver' ter quase dois anos, a população de Cerveira continua a reagir com muita perplexidade às acusações sobre o alemão, suspeito de mais de mil abusos a menores nos últimos 10 anos e de liderar uma seita criada na Baviera para encobrir actos de pedofilia, sendo referenciado como indivíduo de alta perigosidade e dotado de grande mobilidade internacional.
O alegado pedófilo Ulrich Schulz, fugido desde há 2 anos da Justiça alemã, ofereceu em 1997 a peça escultural que se transformou no íconede Cerveira: um cervo em bronze, vindo da Alemanha e colocado sobre uma base em granito, tendo ainda nas suas costas uma obra da autoria do escultor José Rodrigues
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