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Correio da Manhã

Portugal
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CHAIMITES VÃO ACABAR

Os blindados Chaimite vão finalmente desaparecer das Forças Armadas portuguesas, na sequência de uma decisão do ministro da Defesa, Paulo Portas, que acolheu uma proposta do Exército nesse sentido. O início da substituição, que vai incidir sobre novos blindados de rodas, deverá enquadrar-se ainda na anterior Lei de Programação Militar.
6 de Janeiro de 2003 às 00:00
A substituição tem um “carácter urgente” a nível do Ministério da Defesa e do Exército, tendo em conta o facto de estes blindados já estarem ao serviço há mais de 30 anos – surgiram em 1967 –, haver problemas graves de sobressalentes e já não se adaptarem às missões que Portugal tem vindo a desempenhar no estrangeiro, e são mesmo limitativos.

Ainda aquando da intervenção no Kosovo, nos canais NATO fez-se saber a Portugal que os Chaimite V-200 já não corresponderiam aos modernos requisitos de protecção blindada e mobilidade o que obrigou, assim, o Exército a enviar para a região blindados M-113, além de M-11.

Portugal ainda mantém na Bósnia pouco mais de 30 blindados V-200 e a necessidade mais urgente de substituição recai exactamente sobre estas viaturas ainda em serviço, além das duas ou três dezenas em Portugal em condições de operacionalidade duvidosas.
Além da protecção blindada e da mobilidade - limitada pela existência de apenas quatro rodas motrizes -, o conforto é também factor essencial para a obsolescência da viatura.

Com efeito, este blindado, como outros da sua geração, foi concebido apenas tendo em conta as necessidades da Guerra do Ultramar, e, em particular na Bósnia, as guarnições dos blindados e os militares ali transportados sofreram intensamente com o frio. Sem qualquer aquecimento, ou mal limitado ao condutor, o frio era tanto que ao fim de algum tempo de patrulha, os militares ficavam enregelados. Mesmo os condutores tinham por vezes que ser puxados em braços, uma vez que ficavam tolhidos pelo frio. Durante a missão ainda foi tentado um recurso técnico para aumentar o aquecimento, mas sem resultados, uma vez que a concepção do blindado tinha apenas a ver com as nececidades de climas quentes em que se desenvolvia a Guerra do Ultramar.

Nos anos 80, o motor a gasolina foi substituído por um motor a diesel, mas as limitações vieram ao de cima quando surgiram as missões para o exterior. E, no entanto, em 1995 na preparação da missão para a Bósnia, ainda o Exército defendia publicamente a “validade” deste blindado concebido nos anos 50 e 60.

A mudança de mentalidades e as dificuldades na manutenção levou a uma mudança radical e agora o Exército pretende igualmente substituir também por novas viaturas blindadas de rodas até mesmo os M-113 de Santa Margarida - no fundo, em parte, é a recuperação do estudo elaborado em finais dos anos 90 por antigo oficial da Brigada Mecanizada, que entretanto deixou o Exército depois de ter sido ultrapassado e preterido no curso para general.

Este programa, no âmbito da próxima Lei de Programação Militar, a sair ainda este mês, deverá envolver igualmente a Marinha, tendo em conta as necessidades do Corpo de Fuzileiros, que vai também adoptar viaturas blindadas de rodas, para dar mais protecção e mobilidade.

MARCOS HISTÓRICOS

25 DE ABRIL

A Chaimite transformou-se no símbolo do 25 de Abril e da queda do regime de Marcelo Caetano no Largo do Carmo, em Lisboa.
Foi num destes blindados que Salgueiro Maia falou ao povo e apelou à calma.

FITTIPALDI

No “Verão Quente”, um oficial ficou famoso: o major Dinis de Almeida, do então RALIS. Tornou-se conhecido pela utilização que dava a estes blindados e até ganhou a alcunha do “Fittipaldi das Chaimites”.

NOVEMBRO

A 25 de Novembro, os Comandos derrubaram os sectores de extrema-esquerda e a Chaimite foi uma das armas de Jaime Neves. Foi com um destes blindados que foi derrubado o portão da Polícia do Exército.
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