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Correio da Manhã

Portugal
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CHANTAGENS COM GRAVIDEZ

A Vara Mista do Tribunal de Braga deu ontem início ao julgamento de três mulheres, uma delas agente da PSP, acusadas de crimes de extorsão no valor total de 200 mil euros, através da simulação de gravidezes.
24 de Setembro de 2003 às 00:00
As arguidas respondem por burlas que terão atingido os 200 mil euros
As arguidas respondem por burlas que terão atingido os 200 mil euros FOTO: Sérgio Freitas
Segundo o Ministério Público, a agente Maria Eduarda Lemos, que desmente os factos, terá burlado, entre Julho e Dezembro de 1999, num dos casos com a colaboração das outras duas arguidas, quatro empresários da cidade.
Três das vítimas, que alegadamente mantinham relacionamentos amorosos com as três arguidas, são "homens de sólida condição socioeconómica", que, de acordo com a acusação, foram burlados em 150 mil euros. A quarta vítima é um marmorista da cidade, a quem a agente da PSP terá alegadamente extorquido 50 mil euros.
No primeiro caso, a principal arguida, com a colaboração das outras duas mulheres, terá convencido os três empresários da alegada gravidez de uma das cúmplices.
Ao suposto pai da criança, terá sido pedida uma verba no valor de 150 mil euros em troca da não divulgação do caso, evitando assim um escândalo social. O ofendido socorreu-se da ajuda económica de outro dos empresários envolvidos nos encontros amorosos para pagar a quantia.
Ontem, a agente Maria Eduarda negou o conteúdo das acusações que lhe eram imputadas, reconhecendo apenas que manteve um relacionamento amoroso com o empresário António Araújo e que saíam frequentemente na companhia de dois amigos dele, que acompanhavam as outras arguidas, Palmira e Emília.
A agente declarou em tribunal que os 150 mil euros que o empresário depositou na sua conta bancária lhe tinham sido "oferecidos em Julho de 2001 para proceder à compra de um apartamento destinado aos encontros amorosos".
dinheiro 'ardeu'
Questionada sobre o destino dado aos 150 mil euros, a arguida argumentou que levantou a totalidade do dinheiro e escondeu-o num colchão da cama, num apartamento em Ponte de Lima, que acabou por arder dois anos depois, queimando o dinheiro.
Maria Eduarda argumentou que resolveu esconder o dinheiro "à boa maneira antiga" porque estava a receber ameaças da parte do empresário António Araújo, que queria recuperar o montante. Porém, à tarde, corrigiu as declarações e admitiu que, dos 150 mil euros levantados, apenas guardou no colchão 125 mil, depositando o restante no banco.
Negou ainda ter tentado convencer os empresários de uma falsa gravidez, alegando que apenas teve conhecimento do caso "pelos jornais".
Na segunda acusação, a agente garantiu que o marmorista lhe entregou 50 mil euros para emprestar à arguida Palmira e que esta já lhe terá devolvido 12 500 euros.
OUTROS FACTOS
TESTES
Para dar consistência à hipotética gravidez de uma das cúmplices, as três mulheres terão alegadamente ‘fabricado’ um teste positivo para exibir aos empresários, recorrendo para tal, à urina de uma mulher grávida.
CASSETES
A sessão da manhã ficou marcada pelo pedido do advogado de acusação para visionar algumas cassetes de vídeo encontradas pela Judiciária, em casa de uma das arguidas (onde supostamente ocorriam os encontros amorosos), contendo cenas íntimas. O advogado de defesa opôs-se ao visionamento, invocando as disposições constitucionais do direito à reserva da vida íntima.
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