Polícia analisa registos de chamadas e localizações celulares para apurar quem esteve onde diz que esteve, com quem falou, onde e a que horas. Duarte Lima é um dos alvos da investigação.
A informação prestada pelas operadoras é essencial para a polícia, através da análise a telemóveis de potenciais envolvidos no homicídio de Rosalina Ribeiro, para desvendar o crime. Pelo registo de chamadas, em Dezembro do ano passado, vai ficar a saber-se quem ligou para quem, em que dia, a que horas. E pelas antenas que os aparelhos de cada um accionaram só por estarem ligados no bolso, em todos os locais por onde passaram, a determinadas horas, os investigadores vão confirmar quem esteve onde diz que esteve. Quem mentiu. Um dos alvos da polícia é Duarte Lima, advogado da vítima, que já deu a sua versão sobre a noite do crime. E uma pergunta que a polícia lhe fez é: "Enquanto esteve no Brasil, usou aparelho telefónico móvel? Qual o número?"
Os passos de Lima no Brasil estão todos registados pelas redes brasileiras. E quanto às chamadas que tenha efectuado ou recebido em Portugal, antes ou depois da morte da cliente, é uma informação que diz respeito à Vodafone, TMN ou Optimus. Para conseguir acesso a esta informação, a polícia brasileira terá de enviar uma carta rogatória à Procuradoria-Geral da República.
Esta é a versão de Duarte Lima, o advogado que representava os interesses de Rosalina na herança do milionário português Tomé Feteira, sobre a qual a polícia tem dúvidas: deslocou-se ao Rio para um encontro com Rosalina num café, à noite, apesar de a mulher de 74 anos ter viagem marcada para Portugal alguns dias depois. E não voou para o Rio – entrou no Brasil por Belo Horizonte e percorreu 500 quilómetros de carro alugado até ao Rio. No final do encontro com a cliente, diz que esta lhe pediu boleia para Maricá, a 90 quilómetros, para um encontro de negócios com uma mulher chamada Gisele. O advogado diz que não chegou a ver a mulher. Limitou-se a deixar Rosalina apeada, à noite, e seguiu viagem – apesar de o encontro ser de negócios.
Minutos depois, Rosalina foi assassinada a tiro, o corpo foi encontrado dias depois – e ninguém sabe quem é Gisele, ou sequer se existe. Na recolha de elementos de prova, a polícia espera agora por informações das operadoras móveis, em relação ao advogado mas também a outras pessoas ligadas à vítima. Estas informações serão depois cruzadas com os registos e localizações celulares obtidos também do telemóvel de Rosalina Ribeiro.
PROCESSO A ENVOLVER LIMA ACABA NO ARQUIVO COM MORTE DE ROSALINA
A resposta da Suíça a uma carta rogatória da defesa de Olímpia Feteira, que dá conta das transferências de 5 milhões para Duarte Lima, chegou ao DIAP de Lisboa, no âmbito do processo contra Rosalina Ribeiro, a 22 de Setembro de 2009. Na altura, o processo já tinha sido arquivado, e foi reaberto, mas após o homicídio de Rosalina o caso foi definitivamente para a gaveta, em Janeiro de 2010. O processo tinha sido movido por Olímpia contra Rosalina, acusada de se apropriar de dinheiro de Tomé Feteira, mas foi arquivado no início de 2009 pela procuradora Ana Paula Vitorino. A defesa de Olímpia fez uma reclamação hierárquica e, entretanto, chegou a resposta da Suíça a dar conta de transferências para Duarte Lima, que, entre Setembro e Dezembro, foi três vezes ao Brasil (3 de Setembro, 21 de Novembro e 5 de Dezembro). O processo foi reaberto, mas com a morte de Rosalina, contra quem tinha sido feita queixa, voltou a ser arquivado.
AUTORIDADES BRASILEIRAS CONTACTAM PJ
Já houve contactos informais entre as autoridades brasileiras e a Polícia Judiciária, quanto à investigação deste caso, que se vai desenrolando dos dois lados do Atlântico. Tal como o CM avançou, as autoridades brasileiras apontam Duarte Lima como suspeito e afirmam que nos autos não foi encontrado nenhum detalhe que corrobore a versão do advogado. Um dos pontos que os investigadores querem ver esclarecidos é a razão pela qual o advogado, ao dar boleia à sua cliente, na noite em que desapareceu, não a questionou sobre a mulher com a qual se ia encontrar, uma vez que iam falar de partilhas. Filipe Renato Ettore, da Divisão de Homicídios no Rio de Janeiro, é o responsável pelo inquérito ao caso.
PROPRIEDADES DE FEITEIRA NO BRASIL VALEM MILHÕES
Boa parte da fortuna que o milionário Lúcio Tomé Feteira enviou para o Brasil foi aplicada na compra de imóveis e grandes extensões de terra, hoje em áreas muito valorizadas, como Maricá, na região dos Lagos, litoral da área metropolitana do Rio de Janeiro – muito procurada por investidores turísticos e imobiliários.
Só a fazenda Pedra Grande, na região de Inoã, em Maricá, com 400 hectares, está avaliada em 17,3 milhões de euros. A área está alugada a uma empresa de mineração. Outra grande área adquirida por Feteira foi a fazenda São Bento da Lagoa – 700 hectares –, vendida em 2000 por 5,6 milhões, nove meses antes de o empresário morrer, aos 98 anos.
Feteira era dono da Sociedade de Explorações Agrícolas e Industriais, apostada em negócios imobiliários, rurais e urbanos. Dirigida por Olímpia, filha do empresário, possuía três andares num prédio na avenida General Justo, centro do Rio, vendidos em 2004 para João Feteira dos Santos, filho dela. Em nome da sociedade, ainda hoje existem propriedades na zona do Rio, nomeadamente terrenos junto à praia de Itaipuaçu, Maricá, um dos quais teria sido vendido com recurso a procuração falsa. Uma cópia desse documento forjado era um dos papéis que Rosalina, companheira e braço-direito de Feteira durante 32 anos, levava na pasta com que saiu de casa, no Flamengo, zona sul do Rio, a 7 de Dezembro do ano passado, para ir encontrar-se com o advogado Duarte Lima. Foi assassinada duas horas depois, e quem a matou levou a pasta com os documentos.
"PARA JÁ, LIMA É SÓ TESTEMUNHA, NÃO SEI O QUE A POLÍCIA VAI FAZER"
"Por enquanto, ele é testemunha. Não sei que posição a polícia vai tomar mas, até então, ele é um colaborador", assegurou ontem ao ‘CM’ o conhecido advogado João Costa Ribeiro Filho, um dos dois brasileiros contratados por Duarte Lima para o representar no caso Rosalina Ribeiro, assassinada com dois tiros a 7 de Dezembro do ano passado.
Rosalina, que durante 32 anos foi secretária e companheira do falecido milionário português Lúcio Tomé Feteira, disputava na Justiça a herança com a filha deste, Olímpia. E acusava-a de ter ficado com dinheiro de terras vendidas pelo milionário poucos meses antes de este morrer. Já Olímpia acusava a falecida secretária de se ter apropriado de milhões do pai depois da sua morte – segundo ela, parte dessa fortuna foi parar às contas de Duarte Lima, que até agora negou sempre esta versão. "Eu não consigo ver sentido nisso tudo [nas acusações de Olímpia]. Se pudesse, recomendaria apenas que se aguardasse que o Ministério Público e a Justiça brasileira falassem sobre o caso. Até agora, há apenas o pronunciamento de uma moça", referiu o causídico. Costa Ribeiro Filho faz ainda questão de destacar que, segundo o próprio, foi Duarte Lima quem comunicou à polícia o desaparecimento de Rosalina.
"Só para ser esclarecido, ele foi o primeiro a informar a polícia e pedir providências sobre o desaparecimento dela. Duarte Lima estava, se não me engano, na China nessa altura, e fez um fax pedindo que a polícia tomasse providências imediatas", diz o advogado brasileiro.
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