Ex-paraquedistas protestaram este domingo contra a alegada proibição de os militares no ativo cantarem o "Pátria Mãe".
O Chefe do Estado-Maior do Exército, José Nunes da Fonseca, garantiu esta segunda-feira que a tradição do hino dos paraquedistas nas celebrações do Dia do Exército não foi proibida e vai manter-se, caso a pandemia o permita.
"Se no próximo ano houver condições para mantermos este tipo de tradição [mantê-la-emos]. Lembro que sou comandante do Exército desde 2018. Em 2018 e 2019 ocorreram desfiles deste género. Em 2020 não houve desfile e este ano houve um desfile nestas condições. Não se pode dizer que tenha havido uma proibição. As tradições aplicam-se no tempo, no modo e no local adequados", disse José Nunes da Fonseca, à margem da entrega do 27º Prémio Defesa Nacional, na Base Aérea n.º 5, em Leiria.
À semelhança do que tinha adiantado o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, também o Chefe do Estado-Maior salientou que "não houve proibição nenhuma" de cânticos e afastou qualquer responsabilidade da parte do ministro da Defesa, vaiado nas celebrações de domingo.
O Chefe do Estado-Maior do Exército sublinhou ainda que "as comemorações decorreram sob a égide exclusiva do Exército".
Segundo José Nunes da Fonseca, "quaisquer outras entidades, designadamente o senhor ministro da Defesa Nacional, que terá sido visado ontem naquela manifestação, não tem cabimento, foi totalmente fora de contexto".
"Dentro da previsão pandémica e das forças e dos efetivos não se justificava, porque não se ouvia. A dimensão era tão curta. Estas forças especiais, quando equipadas e armadas, são mais de 150 a 200 militares e ouve-se quando cantam e quando gritam. Ontem, eram 20 militares. Com a música e com o desfile, não fazia efeito nenhum. E tinham máscara. Quando se dá um brado, quando se canta, a nossa voz deve estar perfeitamente livre. E isso não aconteceu. Não foi prevista nenhuma iniciativa deste género. Portanto, não houve nenhuma proibição. Não se ajustava", reforçou José Nunes da Fonseca.
O responsável militar afirmou que estas "limitações pandémicas" foram previstas "desde a primeira hora", definindo-se que "não ocorressem manifestações de forças que vão equipadas e armadas" e que se iam "cumprir as regras sanitárias".
"A dimensão dos efetivos não se ajustava a fazermos aquilo que costumávamos fazer em anteriores cerimónias. Em 2019, quando desfilaram as forças especiais, as tais tradições ocorreram", acrescentou.
José Nunes da Fonseca explicou ainda que o Dia do Exército é "um conjunto de cerimónias que se desenrolam ao longo de uma semana, mas que têm um planeamento ao longo sensivelmente de um ano".
"Em 2019, houve comemorações plenas, com efetivos e demonstrações abrangentes. Não havia pandemia. No ano passado, não houve comemorações. Este ano, a comemoração é muito mitigada. As forças que estiveram presentes na cerimónia foram cerca de 200 militares, que demonstraram toda a panóplia de efetivos do exército nas suas diversas unidades", adiantou.
O ministro da Defesa Nacional, José Gomes Cravinho, reiterou que "essa é uma matéria que é do estrito foro interno do exército e, portanto, o governo não se imiscui nesta matéria".
"Confio naturalmente que o exército continuará a ter, tal como sempre teve no passado, toda a capacidade para gerir estas questões", rematou.
Centenas de ex-paraquedistas vaiaram e pediram a demissão do ministro da Defesa e do Chefe do Estado Maior do Exército durante a cerimónia militar nas comemorações do Dia do Exército, em Aveiro.
A iniciativa ficou marcada pelo protesto dos ex-paraquedistas, a que se juntaram antigos comandos, contra a alegada proibição de os militares no ativo cantarem o "Pátria Mãe", o hino dos paraquedistas, durante o desfile militar.
Durante praticamente toda a cerimónia ouviram-se gritos de "demissão", "deixa os homens cantar" e "palhaço", intervalados com cânticos e o brado dos paraquedistas.
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