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Correio da Manhã

Portugal
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Cheiro libertado por aterro revolta moradores e comércio

População diz que nem a roupa estendida escapa ao odor.
Raquel Machado 26 de Abril de 2016 às 10:31
Aterro no lugar de Sobrado tem motivado críticas. Cláudio  Andrade queixa-se de ter perdido clientes no café
Aterro no lugar de Sobrado tem motivado críticas. Cláudio Andrade queixa-se de ter perdido clientes no café FOTO: CMTV
No lugar de Sobrado, em Canedo, Santa Maria da Feira, os moradores estão revoltados com o mau cheiro que é libertado pelo aterro sanitário. Abrir as janelas de casa, passear na rua e colocar a roupa no estendal são tarefas que a população diz serem cada vez mais difíceis de concretizar.

"Isto é quase todos os dias. Não podemos deixar a roupa a secar ao ar livre nem abrir as janelas. O cheiro é insuportável", contou ao CM um dos moradores, que não se quis identificar.

Em funcionamento desde dezembro do ano anterior, as instalações recebem o lixo proveniente dos concelhos de Vila Nova de Gaia e Santa Maria da Feira. Os relatos de quem convive diariamente com o problema sublinham a falta de qualidade de vida na zona. Alguns estabelecimentos tiveram mesmo de fechar por causa da nova instalação de tratamento de resíduos. "Já tiveram de encerrar um infantário que fica a poucos quilómetros do aterro. Se isto é prejudicial para as crianças, então acho que está tudo dito", afirmou Joana Pedrosa, da direção da associação Giesta.

O lixo, transportado em camiões para a instalação, é muitas vezes deixado a céu aberto. Muitas pessoas que viviam nas proximidades preferiram mudar-se. "Há dias em que é impossível aguentar o cheiro. As pessoas sentem-se indispostas e nem ficam aqui no estabelecimento muito tempo. Desde que aquilo começou a funcionar, já perdi muitos clientes", disse Cláudio Andrade, dono do Café Medieval, que fica também no lugar do Sobrado.

O CM tentou contactar a empresa Suldouro, responsável pela gestão do aterro, mas não conseguiu obter resposta. Além do mau cheiro, proveniente da lixeira, a população refere que durante a construção das instalações vários foram os estragos causados na estrada e nas habitações.
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