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Correio da Manhã

Portugal
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Chuva forte até amanhã

A chuva vai voltar hoje e amanhã, em força, o que agrava o perigo de cheias no Ribatejo, em particular nos concelhos de Constância e Chamusca, que activaram os planos municipais de emergência. O agravamento das condições meteorológicas levou o Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil a accionar, ontem à noite, o alerta laranja, o segundo nível mais elevado.
27 de Novembro de 2006 às 00:00
A aldeia de Reguengo do Alviela, Santarém, está isolada desde a última sexta-feira. Só lá se chega de barco
A aldeia de Reguengo do Alviela, Santarém, está isolada desde a última sexta-feira. Só lá se chega de barco FOTO: Cosme Durão
Em todo o território do Continente o Instituto de Meteorologia prevê chuva, por vezes forte, em especial nas regiões do Litoral Norte. O mau tempo agrava-se mais para o fim do dia e vai atingir então o Litoral Centro, o Alentejo e o Algarve.
No distrito de Santarém as maiores preocupações resultam não só das fortes chuvadas – que podem fazer transbordar os rios e ribeiras na bacia do Tejo – mas também do aumento das descargas das barragens.
“Devido ao nível de cheia que se atingiu qualquer variação em toda a bacia do Rio Tejo – que só no distrito de Santarém se estende por 70 quilómetros – tem importância”, disse ao CM o comandante distrital de operações de socorro de Santarém, Joaquim Chambel, frisando que a situação está a ser encarada “com tranquilidade”.
“No Ribatejo as populações estão habituadas a conviver com as cheias, que não são um drama, porque existe um esquema de monitorização e acompanhamento da situação, que permite fazer avisos prévios para que as pessoas se preparem para a subida das águas”, frisou.
PREOCUPAÇÃO
O optimismo de Joaquim Chambel é contrariado pelo presidente da Câmara Municipal de Constância, António Mendes, que receia uma nova subida das águas na vila. “Considero esta cheia brutalmente anormal, porque se formou muito rapidamente e em pouco mais de 12 horas registou-se uma subida de mais de sete metros do nível das águas”, explicou António Mendes.
A zona ribeirinha de Constância, onde os rios Tejo e Zêzere se encontram está submersa desde sexta-feira, mas no fim-de-semana o nível das águas desceu 1,5 metros, permitindo o início das limpezas.
As cheias deixaram um rasto de lamas ácidas, que têm de ser removidas o mais cedo possível para não causar maiores prejuízos nas construções.
DESCARGAS ESTÁVEIS NAS BARRAGENS
As barragens recuperaram, no fim-de-semana, devido à ausência de chuva, capacidade de encaixe de água, o que significa alguma estabilidade nas descargas. “Desde sábado à noite que não há variações nas descargas” das barragens que influenciam a bacia hidrográfica do Rio Tejo, disse o comandante Joaquim Chambel.
As maiores descargas no Tejo são efectuadas pelas barragens do Fratel, Belver, Cedilho e Alcântara (estas duas em Espanha) e no Zêzere são as de Castelo de Bode, Cabril e Bouçã. A preocupação em fazer descargas de segurança, com o objectivo de garantir uma maior capacidade de retenção da água da chuva que venha a ocorrer e, consequentemente, controlar as situações de cheia, foi seguida em todo o País pelo Instituto Nacional da Água (INAG), que tem a competência da gestão dos rios.
Nos locais onde não existem barragens os caudais são livres e reflectem apenas a pluviosidade.
ALDEIAS ISOLADAS
ALVIELA
As povoações de Reguengo do Alviela (Santarém) e Valada (Cartaxo) estão isoladas desde o fim-de-semana devido à submersão das estradas nacionais que lhes dão acesso.
BARQUINHA
As zonas baixas do Arripiado (Chamusca), da Barquinha e de Constância estão submersas desde a sexta-feira passada. Igual situação regista-se no Cais de Tancos.
RIBEIRA
A praça Oliveira Marreca, na Ribeira de Santarém está inundada há três dias, devido à subida repentina das águas do Rio Tejo. Há ainda registo do galgamento dos descarregadores da Omnias e da Courela.
VOLUME DE ÁGUA NAS ALBUFEIRAS EM NOVEMBRO (em percentagem da capacidade)
Lima: 62,8 (actual) / 64,1 (média de 1990 a 2000)
Douro: 61 (actual) / 62,1 (média de 1990 a 2000)
Cávado: 70,1 (actual) / 61,6 (média de 1990 a 2000)
Mondego: 65,4 (actual) / 68,5 (média de 1990 a 2000)
Ave: 56,7 (actual) / 59,7 (média de 1990 a 2000)
Oeste: 31,3 (actual) / 47,1 (média de 1990 a 2000)
Tejo: 91,2 (actual) / 62,4 (média de 1990 a 2000)
Sado: 64,7 (actual) / 43,4 (média de 1990 a 2000)
Mira: 74,5 (actual) / 72,6 (média de 1990 a 2000)
Guadiana: 71,6 (actual) / 54 (média de 1990 a 2000)
Barlavento: 64,7 (actual) / 55,5 (média de 1990 a 2000)
Arade: 68,9 (actual) / 38,7 (média de 1990 a 2000)
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