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Correio da Manhã

Portugal
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CHUVA SÓ INCOMODOU BARRAGEM

Apesar das previsões de mau tempo para ontem, a chuva que caiu não originou inundações nem outros problemas de maior, sendo que as preocupações da Protecção Civil se centralizaram na barragem do Lapão (Mortágua), onde o aparecimento de novas fissuras e o aumento da cota da água fez temer o pior: o rebentamento.
6 de Janeiro de 2003 às 00:00
Esta situação levou a que as autoridades elaborassem um plano de evacuação para as aldeias ribeirinhas, mas que até ontem à noite não foi necessário pôr em prática.

Enquanto a Protecção Civil procedeu à elaboração do plano e uma máquina derrubava parte do muro da zona de descargas, que assim fez baixar o nível das águas, técnicos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil e do Instituto da Água vistoriaram a estrutura da albufeira, e no final consideraram que o risco de ruptura “é muito remoto”. Seja como for, Protecção Civil e bombeiros estiveram de atalaia a acompanhar o evoluir da situação e mantiveram informadas as pessoas.

Apesar de ontem ter chovido durante todo o dia, a cota da água da represa baixou dois metros, factor que foi recebido por populações e autoridades com alívio. Pedro Lopes, vice-presidente da Protecção Civil, referiu: “Face aos sinais da barragem tivemos que criar um plano para a eventualidade de retirar as pessoas que residem nas margens da ribeira, porque havia o perigo de cheias. É preciso prevenir e evitar tragédias.”

NOITE MAL DORMIDA

O facto de as autoridades terem reunido de emergência para criar um plano de evacuação para as zonas das margens da Ribeira da Fraga, alarmou as pessoas que ali residem, ao ponto de algumas pessoas terem arrumado alguns bens e temessem o pior.

Para Afonso Abrantes, presidente da Câmara de Mortágua, “caso alguma coisa corresse mal”, estariam em perigo 400 pessoas que residem em cerca de uma centena de casas das aldeias de Vila Moinhos, Vila Gosende e Barril. Na madrugada, muita gente se deslocou à barragem, mas lá receberam boas notícias e regressaram a casa. “Mesmo assim, não dormi nada só a pensar que a barragem podia rebentar”, disse António Rodrigues que reside numa habitação em perigo, a poucos metros da ribeira.

Esta barragem entrou em funcionamento há um ano, custou quatro milhões de euros, é construída à base de terra e ainda se encontrava em fase de testes. O ministro da Agricultura já mandou abrir um inquérito para apurar o que provocou as anomalias que causaram todos estes problemas.
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