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Correio da Manhã

Portugal
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Cidade às escuras para poupar dinheiro

A partir da meia-noite deixa de haver luz pública em Marco de Canaveses. A medida da autarquia já começou a ser implementada, esta semana, na cidade e rapidamente irá estender-se às restantes freguesias do concelho.
5 de Dezembro de 2010 às 00:30
As ruas da cidade do Marco de Canaveses só ficam às escuras depois da meia-noite
As ruas da cidade do Marco de Canaveses só ficam às escuras depois da meia-noite FOTO: Roberto Bessa Moreira

O presidente da câmara, Manuel Moreira, justifica a "escuridão" com a necessidade de fazer face a um corte de um milhão e 400 mil euros nas transferências do Estado e a um empréstimo bancário de 45 milhões de euros herdado de Avelino Ferreira Torres. Entre a população, as opiniões dividem-se entre quem entende a necessidade de poupança e quem considere o corte da luz uma "estupidez".

"O corte começou a ser feito na cidade e, de forma gradual, vamos começar a fazê-lo no restante concelho", afirma Manuel Moreira. O autarca explica que o corte será efectuado de forma "ponderada" e "sem colocar em causa a segurança e o conforto da população".

O objectivo desta medida, salienta Moreira, é reduzir uma factura trimestral superior a 200 mil euros. "A crise reflecte-se no município. No próximo ano, teremos menos um milhão e 400 mil euros do Estado e temos de continuar a pagar o empréstimo de 45 milhões de euros feito em 2004", explica.

Em Marco de Canaveses a poupança de energia far-se-á ainda ao nível dos equipamentos municipais, nomeadamente nas piscinas e escolas.

Mas o que preocupa mesmo a população é a iluminação. "Acho uma estupidez. Cada vez se ouve falar mais em assaltos e sem luz os ladrões ficam com a vida facilitada", defende Abílio Moreira, comerciante que esta semana viu o seu café ser assaltado. "Fica uma cidade mais triste, sobretudo nesta altura do ano", alega.

Ontem, Carla Magalhães, 20 anos, ainda não se tinha apercebido da medida. "Durante a semana não vejo problema, sobretudo nesta altura de Inverno", diz. Miguel Sousa, comerciante, concorda: "Acho bem. É preciso contenção", refere. 

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